à prova de Hamlet
os salgueiros choram os ramos por todo o lado. fossem lágrimas e estaria afogado. nesta terra tão divina e bestial, eu era um anjo a viver num jardim do mal. mas há uma lâmpada no fundo do charco. chorar ou não chorar? eis a questão. será mais nobre deixar os proveitos de uma fortuna infame acontecer, ou erguer o terremoto das mãos contra um oceano de azares e, em combate, acertar um tiro num potencial melhor amigo? dormir. sonhar. nada mais. e no sonho deixar que a dor desate os seus perfumes em poemas, que a carne se livre de uma herança dos espasmos e das feridas de deuses e monstros, com a paz de saborear as tuas últimas palavras como haxixe. o meu coração está uma lástima. se eu o suportasse sozinho, eu não tentava tanto sedar o que já ficou para trás. sonhar morrer. morrer e lá sonhar. eis a fissura. que sonhos florirão desse charco, quando despirmos a mortalha febril? que rosas de outroras, que venenos? que s...