Mensagens

As vénias

quão doentiamente é que me desejas? é melhor chamares o clone que não faz o que eu te fazia. ao descer do palco, parece que deixo um rasto de rebuçados pela rua... eu sei que quando eram crianças, vocês sonhavam ser assim. não se esqueçam desse desejo, respeitem o desejo. dobrem-se, cadelas. eu demorei um tempinho a chegar aqui mas não pensem que acordei assim. não se emaranhem, não se confundam, isto é meu. dobrem-se, cadelas, aplaudam, cadelas, amaguem-se, cadelas; amaguem-se, cadelas, tenho tanta coroa... amaguem-se cadelas. por onde passo, um rasto de rebuçados pela rua!

Sidewinder [cover]

lights, camera, acción , ... pronto, faço isto sozinho. deslizo pelos detritos do meu mundo e a tua alma dá-me fome —  és a presa que dá vida ao predador. não o sentes? o veneno crescer, logo pela manhã,  a ver estrelas da noite? não a sentes? uma dentada desde o âmago do veneno até ao fundo do coração? deita-te bem cedo, esta noite desaparece-me da vista não vais fugir a tempo ó, a misericórdia é tudo o que precisas ó, e para ti os meus dentes não servem para sorrir é certo, que vou despir esta pele mais tarde, mas as presas são difíceis de esconder e já te explicaram que vamos todos morrer. a escorregar pela areia da noite só te tenho a ti na mira podes fugir, mas não te podes esconder. ó, misericórdia, tudo o que precisas, ó, e para ti os meus dentes nunca serviram para sorrir para ti sou o portador do destino, o sítio errado e a hora errada, e agora o terror no ar que respiras é puro instinto, um ódio gelado. eu não me arrependo, eu não posso escapar a decisões tomadas por...

Cada Pesadelo tem uma chave

Nossa Senhora do Caos,   Tende piedade dos obcecados,   Dai-lhes paciência     e uma mortalha para enrolar. o tempo pára   com o abrir da cortina. afinal, quem é o público   que espreita pela jaula     enquanto cantamos       aqui neste palco? é História ou é arte?   são factos ou meros sonhos?     o que fizémos ou entendemos? Nossa Senhora do Caos,   Larga a salvação.   Dai-me suspensão.     Já nem peço piedade —       só o silêncio. são rumores ou pesadelos   as vozes que silencias     quando entro em palco? as luzes ficam mais fortes   quanto mais temos de esperar     pelo vício de ser visto. Nossa Senhora do Caos,   Será que a luz     me pode engolir? com o cair da cortina,   o tempo recomeça. Nossa Senhora do Caos,   rezo:     que o teu despertar seja doce.

Este Pesadelo sabe o nome que tem

linha de apoio à navegação do Pesadelo, em que posso ser uma assombraç ão? ... não, não, hoje não vai dar jeito nenhum, ele está para ali estendido no chão...  [deitado no chão, a brincar com uma pistola quente,  que não disparou] eu vi a luz num paraíso perdido, na mania gótica de me torturar até à grandeza. cego pelo reluzir das minhas correntes, neste meu campo de flores de papel, vejo as nuvens roxas passar por mim... enquanto danço à sombra da indulgência, eu nunca vi a vida como algo que se me escapava. Este Pesadelo sabe o nome que tem. nisto, os ratos aguentam a roda, escravos do ciclo que não os solta. não conseguimos acordar a suar, porque ainda não acabou. vamos aumentar as apostas, vamos fumá-los daqui para fora. tomar a medicação, tirar umas férias, (vamos ficar bem!) não que eu pudesse... nem que eu quisesse... sentir o calor aproximar-se, e simplesmente deixar arder. e eu sei que ouves as vozes e eu sei que fazem isto tudo parecer real. os ares da vida e os...

teoria da quimera

o obsceno, o irreal, o efémero e o inefável  encontram-se num parto: eu nasci num cenário turvo e tenho por hábito que o meu tumulto não passe de um banho de rosas. foi preciso um palácio do oblívio, onde o cima era baixo, e o estimado era esquecido. foi precisa uma escada para o céu, um jardim de delíquios violentos,  um inferno de maremotos. foram precisas cerca de 666 versões diferentes de mim mesmo, oh, como se diluem todas no tempo... e eu pareço exactamente o mesmo. foi preciso um asilo de marfim para eclodir esta teoria da quimera. e por aqui ando eu. a fazer os trabalhos de deus.

Eterna Ária da alma desse Pesadelo

continua a falar, só te violas a ti mesmo. Comentaste que era louco, Que era só mais uma piada — Agora esta casa é minha. Se me querias ver morto, Bastava só dizeres — Estás a dar-me vida. Consegues ver a dança dos mortos? Consegues ver as caras que beijaste? Os olhos por que obcecaste? E os dentes que me arrancaste? A todo o custo contém o teu escândalo, O meu bom nome é meu para desgraçar. Não há caos, nem loucura, Só a voz ríspida e clara, Mais clara que qualquer ideia, A romper a orgia da falta de ânimo: A luz sobre o protagonista desse pesadelo (Se me querias ver morto, bastava admitires).

Clube dos poetas loucos

estou sempre bêbado nas minhas lágrimas, numa constante moca por causa da reputação e ponho narcóticos nos planos de aula, não é o que todos dizem? as crianças entram na minha casa cheia de teias, mas eu processo-te se pisares o meu quintal, que eu sou temeroso e miserável, perverso e injusto, esqueceram-se de levar este drogado funcional. eu quero gritar aos céus o quão perturbado tu me deixaste: tu não tens o direito a dizer-me o que é tristeza. tu não tens o direito a dizer-me que te sentes mal. tu não duravas uma hora no asilo onde me criaram. eu era gentil e bondoso até que o teu circo me tornou cruel. tu atraíste, magoaste, aprisionaste e chamaste-me louco. então, quem é que pode ter medo de mim? e é por isso que ainda sonhas comigo.