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balada do sapo eremita.

em torno da volta: nada me deixa mais feliz. sempre a arder por excesso de zelo o incenso não intensifica o bom-senso, na deriva, o declive, a órbita do eremita. eu deixei voar o balão de vidro e na algema cristalina da sua liberdade confirmei a majestosa joia do amor.

minar amor na Temu

talvez já te devas ter apercebido que o amor é um minério ténue. o baile das picaretas tem de ser orquestrado ao som de Für Elise . os diamantes são sempre fugitivos e as suas arestas iludem-nos com manchas de carvão refractadas. e é perfeitamente normal que confundas um espectro de luz divina com um escarro nestas condições. o contexto em que tudo acontece e em que nos procuramos mover são sociais lamas movediças. daí a dança: daí a valsa da lama acima ser mais útil que o movimento extenuante do breakdance de esqueletos num telhado. bem sei que tenho o meu esqueleto no telhado e que não o consigo puxar aqui para baixo. ossadas fugitivas do meu telhado, porque não regressais? porque danças sem mim e não me levais? ao som de van Beethoven, vou-me, invertebrado, mexendo em direção a fulgores que também se tingem da cor da merda. e cinjo-me a um lento e encantador minério de tudo o que vai aqui em baixo. sem dieta de éter ou de hélio para me anestesiar ou levitar e agarrar no corpo que f...
 afinal, é sobre estas letras ou por debaixo delas mas refractam, diametralizam,  assimetrizam, vectorialmente recortam as direções tomadas pelas arestas de gelo descritas em torno do tal fenómeno esse aí mesmo o preciso caso onde vejo um cubo de gelo descongelar respingar pingar decair no ar
 eu sei que quando me sentir o camelo, não passarei de criança. e quando me fizer passar por leão, não deixarei de ser o camelo. mas acima tudo tenho a certeza, que não é por me sentir criança, que alguma vez fui leão.

Hino Nacional

sorrio de lágrimas postas em mais uma derrota.  à sombra de outra árvore velha por terra inóspita, o casco apodrecido, jurei abundância e gentileza a quem passa para lhes cumprir a podridão num escarlate nunca antes visto. ficassem virtuais e platónicas as cores horrorizadas de se exumar a pura da abundância teórica, tropicais, etéreas, paradisíacas, antes a apodrecerem e atraírem moscas. diz que o encargo não é o presente, é mundo. e a sua proposta decadente. ver no caos uma escada. rebolar na lama encarnada.  abundar na podridão.
 Diz-me quantos fomos, Os que mal amámos, Os que por erro quiseram, Os que se humilharam? Diz-me a razão para amar A ideia que deixei flutuar, A limitação do seu soar Mal transcrita pelo sonar? A minha pessoa só queria A segunda seduzia A terceira mal sabia Quatro escadas para derrapar Cinco dias, sem dormir, Pela sexta vez que me matar.

O prosaico na campa de Paganini

Na campa de Paganini Vi duas estátuas conversar Disso tenho a certeza!  Estavam à vista e não nas visões, Eram de mármore e não de gelo, Acenavam, apontam e confirmam O lugar de quem Por pactos Electrificou os violinos Com o sombrio. Falaram dos jardins por onde se param Leões — e dos quantos que sujaram De sangue a via de lírios, com dentes Cuspidos — fragmentos ao acaso E em cada um, os restos das pessoas, Os restos das caras gastas, De quem sabia em que sítio fica o quê. Sugeriram a palavra “Anestesia!” Antes que a verrina soasse Vinda numa arcada do sepulcro. Tirem-me as dróseras e os ramos de rosas, daqui. Recordam o sol do meio-dia Na cemitéria, em que tu esqueces Com o GPS, o tabaco e o tablet A vaga fútil de calor e desejo, Ai sentida onda da aurora tenra... E eu contei-lhes o quanto ansiei Pela grandeza de ver o mapa e ler o céu, Para fugir na crista que não se quebra Do nosso país, que nunca existiu.