Criogénese

no princípio era o gelo, e o gelo cobria tudo e o gelo era tudo.

ser a imagem e semelhança da decepção é repetir um pleonasmo,
o corpo deixa a luz passar e transparecer sem sentir o seu toque.
não há uma invisibilidade quando somos bolhas antropomorfas,
há um destaque para um ser-não-estar, uma inexistência da existência.

sou uma tempestade de inadequações, aleatoriedades e vergonhas,
uma rajada de mentiras que dão corpo a uma mísera forma.
não há perdão melhor que ver todas as veias serem azuis,
por um bocado não quero ter sido nada antes da criogénese.

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