uma lição perdida de um mestre perdido
Quando o meu Mestre me perguntou como tinha corrido a viagem, eu disse-lhe que julgava ter encontrado a razão para a minha existência. — Creio entender agora como cada pessoa atravessa a vida convencida da sua própria virtude. Como se tivessem sido escolhidas para redimir o mundo através de uma luz permanente e fixa. Mas a luz, se se fixa, não passa de uma fachada. Dentro de cada coração há sombra e muitas vezes aquilo a que chamamos virtude não passa de uma farsa bem iluminada. Se saber disto é a minha maldição, aceito-a de bom grado. O Mestre escutou-me e disse que eu devia ter confrontado muita escuridão, para falar com tanta certeza. Formulei, então, a minha teoria: — Aqueles que ambicionam um poder de forma desmesurada roubam-no aos que o têm e convencem-se de que o merecem. É assim que começam a sujar-se. Acreditam naquilo em que pretendem acreditar. Inventam razões fúteis para justificar as suas acções. Repetem as mesmas desculpas até que se confundam com a sua verdade. E, ...