crise de representação
eu canto o corpo eléctrico. os exércitos dos que eu amo engrossam-me a voz. não me largam: marcham dentro de mim até que eu siga com eles, até que lhes responda, até que os purifique e lhes devolva, gota a gota, o que me resta da alma. encanto o corpo eléctrico. eu vi as melhores mentes da minha geração desfeitas na vaidade da reputação, esfomeadas, histéricas, nuas, a raspar alcatrão ao romper da aurora, a ressacar por outra dose de metafísica. metaleiros com caras de querubim a arder por uma ancestral ligação ao paraíso, ao dínamo estrelado da maquinaria da noite. esvaziados pela espera, acesos pela promessa. alguns despiram o cérebro ao céu e viram anjos muçulmanos a cambalear sobre telhados de zinco, sob uma luz que não vinha de lado nenhum. outros atravessaram universidades com olhos frios, radiantes, a alucinar Avalon e teorias da conspiração, nos corredores da arte da guerra. os que as academias expulsaram por loucura, por publicarem odes obscenas nas janelas da...