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Timóteo 6:11-21

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tenho de fazer um hino, um cântico pela luta justa... a do bom caminho da fé, aquela das minhas inspirações, dos grandiosos a quem devo espaço em largos ombros, onde deslizo,  prudente verme. (quem sou eu? talvez nem aqui esteja, será que nem sou único?) acorda,  levanta-te,  estende a mão, sai para as ruas, deposita o fogo em poemas e levanta a voz aos que injustiçam, mas questiona: porque é que ninguém quer mudar? meu irmão Timóteo, se há frutos, é para colher, até morrer. sê rico em boas ações, guarda a fé que recebeste por herança. o sonho pode ser aquilo que nunca morre, envolto numa luz impenetrável, verdadeiro salvador, o paraíso na terra, que podia ser contigo aqui.

teoria do Serafim

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[entrada em barítono] Bienvenue dans la maison de l'Ordre! Voici les anges  que j'entretiens en moi: Entre ces murs que je bénis, Laissez-moi, ô,  p artager mes rêves! vamos lá teorizar o serafim, o da mais alta ordem, sete asas douradas "dos que ardem". dizem que no fim  vem tudo purificar, numa armadura  da mais sacra prata. o seu testamento traz sete paraísos, nas suas mãos, relíquias da ascensão; talvez nos teus livros  tenha o nome de Maldição. e vê-lo é ver a hierarquia da quebra - o momento em que tudo rompe - passado e presente; remorso e auspício. ao passar da divina excalibur  da luz solar.

do abismo

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eu tentei não te largar  (mas nunca agarrei) eu não gosto das visões  da moca da ressaca. deixa-me acordar, enfim, no meio das rosas  já terminou a vida que ficou para trás  qual seria o ponto de ficar, com tudo a arder? e tudo a cair... eu sei, que sei eu… estou a cair à velocidade dos nossos sonhos  estou a desaparecer à medida que a tua cara diminui  diz-me só uma vez as únicas palavras que me dão vida  pode ser que nos encontremos do outro lado. agarra bem forte no meu coração sabes que bate por ti estou a cair à velocidade dos nossos sonhos pode ser que nos reencontremos ainda aqui. deixa-me abrir os olhos com dignidade. o mundo está adiante. salta a fronteira, (muito que custe) vamos começar,  é só escalar,  é só subir... Nossa Senhora do Caos,  se eu vou rezar, não é para fugir,  é para acordar.  

decadência néon

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[uma ars poetica ao micro-ondas] estou a reaquecer os meus nachos enquanto te aproximas de uma armadilha luminosa, como uma traça a uma chama e eu aqui a ver o microondas. “que perigo? ele é mais conhecido pelo que faz nos lençóis” este holofote não salva: expõe e queima, acende o colapso, sem purificar. se calhar, precisamos de reprogramar estas luzes? temos de sonhar com (e não contra) a cidade doente, domesticar os choques tóxicos,  fazer da queda no palco não um defeito, mas matéria de construção. temos de sonhar com (e não contra) a cidade doente, construir ação, realizar sonhos (luzes, por favor. mais fortes... não para salvar — mas para ver!) e disputar a voltagem da decadência.

Os brindes

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ó, dêem-me vida, a categoria é:  sonha ou concretiza pesadelos! (ai, mas como será que ele ficou assim? vamos contar mais uma piada) paga o que deves às inspirações que já tolheste. este shot é pela minha dor! esta ganza é pela miséria! mantém-me preso à luz da lua, dá-me vida a cada fôlego. este  shot  é pela minha dor! esta ganza é pela miséria! fico todo fodido hoje, amanhã acordo melhor! (vamos contar mais uma piada e rimo-nos todos até ele chorar! volta para o palco e diz-nos o teu nome!) estou com os ouvidos a arder, eu ouvi tudo o que disseram o fala-barato pode custar caro e pode ter o preço da imortalidade fizeste deste chão um inferno eu que nem caminho pelas tuas ruas, nem disparo armas nos teus campos... este brinde é pela minha dor! esta ganza é pela miséria! aqui não tenho de ficar calado, aqui não tenho de ser gentil, extraordinário e restrito em simultâneo, mas repara como estou de rastos, tenho comentários agarrados às solas dos sapatos aqui eu ocupo o ...

O tédio

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[Imagem gerada por IA — "não fui eu que fiz."] já sentiste a solidão,   num país inundado de sol? uma pedra num charco,   uma rosa que ceifa,   a queda infinita,   o vazio que aleija. já queimaste um teatro   por ser dramática a peça? a caravana,   finalmente a caravana,   e tudo isto num panóptico.   finalmente, na secretária,   um capítulo a descansar. já alguma vez viste   todas as linhas da manipulação   com a nitidez de um marginalizado? já escreveste um livro de pesadelos   só por estares aborrecido? e alguém me explica   porque é que o público   prefere viver constantes pesadelos   a concretizar realidades melhores?

As vénias

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quão doentiamente é que me desejas? é melhor chamares o clone que não faz o que eu te fazia. ao sair de cena parece que deixo um rasto de rebuçados pela rua... eu sei que quando eram crianças, vocês sonhavam ser assim. não se esqueçam desse desejo, respeitem o desejo. dobrem-se, fiéis. consigo ouvir os gritos,  são de prazer ou dever? eu demorei um tempinho a chegar aqui mas não pensem que acordei assim. não se emaranhem, não se confundam, isto é meu. dobrem-se, fiéis, aplaudam, felizes e triunfantes, amaguem-se, devotos; amaguem-se, fiéis, tenho tanta coroa... amaguem-se fiéis. por onde passo, um rasto de rebuçados pela rua!