dos néons inflamáveis
a verdade pode ser feia, eu sei, repleta de nomes perdidos, dos que já foram... mas gelam-me as veias pelos defuntos e pelos seus sonhos, que em mim ainda moram. e quando choro em queda corrupta, quando estilhaço em álcool que derrama, cascata densa, tempestade abrupta, arde o néon que nos inflama! e podes levantar as mãos! vamos tentar! apanha-me as lágrimas antes que o mar as junte às ondas, mas consegues detê-las? para juntos sermos um paraíso de néon a ver estrelas? quando o sangue me enche de tesão e sinto que sou inflamável, seja cortisol ou em combustão, estou no ermo do irreparável! há dias em que não sintonizo, caio por dentro, perco o piso... se quiseres ficar até me fartar, talvez me consigas fazer degelar. há dias em que me sinto tão novo... a revirar o cânone, provocar o povo! a remexer nas regras do porvir, e escolher eu mesmo o que hei-de seguir.
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