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magia da simpatia / simpatia pelo diabo [medley]

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nos sonhos, a memória é disléxica, os nomes e as caras confundem-se, só existe o dantes e o depois. e as luzes nos sonhos são assim, como a lama que escorre pelos dedos, o único Deus que conheci e que não precisa de mim de joelhos para crer. (será que sou diferente? será que não mudei?) permite-me que me apresente, sou pessoa de valor e gosto, tenho andado por aqui há muito e já arrebatei muitas almas e crenças. não reconheço uma cara sem cicatrizes, engasgo-me na fama que não consigo cuspir, agachado e de blazer, ansioso e envergonhado. nas vagas humilhações da reputação. não vejo no valor uma virtude já nem tento ser bom no que faço para me safar, prefiro o consolo da magia da simpatia. prazer em conhecer, espero que adivinhes o meu nome, mas aquilo que te assusta é a própria natura do jogo. e como cada polícia é ladrão, e cada santo um pecador, e como as coroas são as caras, chama-me Caos pois preciso de humildade. se precisares de mim, mostra cortesia, tem simpatia e redefine elegâ...

Timóteo 6:11-21

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tenho de fazer um hino, um cântico pela luta justa... a do bom caminho da fé, aquela das minhas inspirações, dos grandiosos a quem devo espaço em largos ombros, onde deslizo,  prudente verme. (quem sou eu? talvez nem aqui esteja, será que nem sou único?) acorda,  levanta-te,  estende a mão, sai para as ruas, deposita o fogo em poemas e levanta a voz aos que injustiçam, mas questiona: porque é que ninguém quer mudar? meu irmão Timóteo, se há frutos, é para colher, até morrer. sê rico em boas ações, guarda a fé que recebeste por herança. o sonho pode ser aquilo que nunca morre, envolto numa luz impenetrável, verdadeiro salvador, o paraíso na terra, que podia ser contigo aqui.

teoria do Serafim

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[entrada em barítono] Bienvenue dans la maison de l'Ordre! Voici les anges  que j'entretiens en moi: Entre ces murs que je bénis, Laissez-moi, ô,  p artager mes rêves! vamos lá teorizar o serafim, o da mais alta ordem, sete asas douradas "dos que ardem". dizem que no fim  vem tudo purificar, numa armadura  da mais sacra prata. o seu testamento traz sete paraísos, nas suas mãos, relíquias da ascensão; talvez nos teus livros  tenha o nome de Maldição. e vê-lo é ver a hierarquia da quebra - o momento em que tudo rompe - passado e presente; remorso e auspício. ao passar da divina excalibur  da luz solar.

do abismo

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eu tentei não te largar  (mas nunca agarrei) eu não gosto das visões  da moca da ressaca. deixa-me acordar, enfim, no meio das rosas  já terminou a vida que ficou para trás  qual seria o ponto de ficar, com tudo a arder? e tudo a cair... eu sei, que sei eu… estou a cair à velocidade dos nossos sonhos  estou a desaparecer à medida que a tua cara diminui  diz-me só uma vez as únicas palavras que me dão vida  pode ser que nos encontremos do outro lado. agarra bem forte no meu coração sabes que bate por ti estou a cair à velocidade dos nossos sonhos pode ser que nos reencontremos ainda aqui. deixa-me abrir os olhos com dignidade. o mundo está adiante. salta a fronteira, (muito que custe) vamos começar,  é só escalar,  é só subir... Nossa Senhora do Caos,  se eu vou rezar, não é para fugir,  é para acordar.  

decadência néon

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[uma ars poetica ao micro-ondas] estou a reaquecer os meus nachos enquanto te aproximas de uma armadilha luminosa, como uma traça a uma chama e eu aqui a ver o microondas. “que perigo? ele é mais conhecido pelo que faz nos lençóis” este holofote não salva: expõe e queima, acende o colapso, sem purificar. se calhar, precisamos de reprogramar estas luzes? temos de sonhar com (e não contra) a cidade doente, domesticar os choques tóxicos,  fazer da queda no palco não um defeito, mas matéria de construção. temos de sonhar com (e não contra) a cidade doente, construir ação, realizar sonhos (luzes, por favor. mais fortes... não para salvar — mas para ver!) e disputar a voltagem da decadência.

Os brindes

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ó, dêem-me a vida, a categoria é:  sonha ou concretiza pesadelos! (ai, mas como será que ele ficou assim? vamos contar mais uma piada) paga o que deves às inspirações que já tolheste. este shot é pela minha dor! esta ganza é pela miséria! mantém-me preso à luz da lua, dá-me vida a cada fôlego. este  shot  é pela minha dor! esta ganza é pela miséria! fico todo fodido hoje, amanhã acordo melhor! (vamos contar mais uma piada e rimo-nos todos até ele chorar! volta para o palco e diz-nos o teu nome!) estou com os ouvidos a arder, eu ouvi tudo o que disseram o fala-barato pode custar caro e pode ter o preço da imortalidade fizeste deste chão um inferno eu que nem caminho pelas tuas ruas, nem disparo armas nos teus campos... este brinde é pela minha dor! esta ganza é pela miséria! aqui não tenho de ficar calado, aqui não tenho de ser gentil, extraordinário e restrito em simultâneo, mas repara como estou de rastos, tenho comentários agarrados às solas dos sapatos aqui eu ocupo ...

O tédio

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[Imagem gerada por IA — "não fui eu que fiz."] já sentiste a solidão,   num país inundado de sol? uma pedra num charco,   uma rosa que ceifa,   a queda infinita,   o vazio que aleija. já queimaste um teatro   por ser dramática a peça? a caravana,   finalmente a caravana,   e tudo isto num panóptico.   finalmente, na secretária,   um capítulo a descansar. já alguma vez viste   todas as linhas da manipulação   com a nitidez de um marginalizado? já escreveste um livro de pesadelos   só por estares aborrecido? e alguém me explica   porque é que o público   prefere viver constantes pesadelos   a concretizar realidades melhores?