O fim dos sonhos

O grande problema dos sonhos:

É que terminam quando acordamos...


Sonho por um lugar à retaguarda,

No êxtase da decadência néon.

Tenho um plano e é sinfónico.

Meio psicótico, doentio, hipnótico,

É carismático, cinematográfico,

E tem-me fleumático.

A batida chicoteia, é uma dose

Que me faz falta.

Fui desencadeado para dançar, 

Cada osso salta.


Oh, e enquanto dançamos, mudam as luzes!

Mãos atrás da cabeça, como Cristo disse!

Aos beijos na pista de dança!

Foi até que o chão ardesse!


Não há teoria que compreenda

Aquilo em que eu me vim meter.

Sonhos realizados,

Hipertácteis e em queda livre,

No meio do êxtase do néon decadente.

Onde é que estás, que eu não te vejo?

(Mas eu sinto-te observar-me, meu anjo)

Sonhos concretizados,

Dilatados e em queda livre: 

Nós — animais em ecstasy,

Longe do coração, longe da vista.


E se hoje não adormecermos?

Será que na vigília fazemos

Carneirinhos electrónicos?

Até que o corpo

Se lembre do escuro

E volte, por fim,

a sonhar?




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