magia da simpatia / simpatia pelo diabo [medley]

nos sonhos, a memória é disléxica,

os nomes e as caras confundem-se,

só existe o dantes e o depois.


e as luzes nos sonhos são assim,

como a lama que escorre pelos dedos,

o único Deus que conheci

e que não precisa de mim de joelhos para crer.


(será que sou diferente? será que não mudei?)


permite-me que me apresente,

sou pessoa de valor e gosto,

tenho andado por aqui há muito

e já arrebatei muitas almas e crenças.


não reconheço uma cara sem cicatrizes,

engasgo-me na fama que não consigo cuspir,

agachado e de blazer, ansioso e envergonhado.

nas vagas humilhações da reputação.


não vejo no valor uma virtude

já nem tento ser bom no que faço

para me safar, prefiro o consolo

da magia da simpatia.


prazer em conhecer,

espero que adivinhes o meu nome,

mas aquilo que te assusta

é a própria natura do jogo.


e como cada polícia é ladrão,

e cada santo um pecador,

e como as coroas são as caras, chama-me Caos

pois preciso de humildade.


se precisares de mim, mostra cortesia,

tem simpatia e redefine elegância

usa a melhor polidez,

ou larga a alma de uma vez.


[entra outro coro qualquer]

Diz-me, meu anjo, que rua te inventou?

De que noite nasceste, sob que holofote te deixas estar?

Diz-me, meu anjo, sentes-te sozinho?

Aquilo que precisamos é fechar os olhos — e ver.




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