vida boémia
[título alternativo: Uma crucifixão é como ver de cima] Para quê ter uma voz, se já ouço vozes? Atrozes, velozes, a fugir por ensaiadas poses? Osmoses de egos sem posses, credores morais, cobranças banais, prostituições intelectuais. Eu admito, sou um bocado solitário, tive de crescer criativo, para não parecer ainda mais perdido. A minha mãe ensinou-me a não falar com estranhos, agora o estranho sou eu e ninguém me fala. Passei demasiado tempo a cultivar mística, (farmar aura na rotina banal) E posso não ser um bom exemplo: não singrei, fiz-me feliz, o que eu digo não se escreve, e o que eu escrevo não se diz e tirando este verso, os outros todos são as mentiras que eu quis. Mas só vejo um tipo de pessoas imitar-me (estou a ver-te, sim) e se ninguém aqui me dá, eu tiro (instinto, impulso, estilo) vou ser vilão por umas horas, para ver quem vos salva desse delírio! Se não te vês no futuro ( mutatis mutandis, trocado por miúdos) és descartá...