e se um dia o virtual desabar sobre nós?
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prelúdio para um labirinto
ó sonhos virtuosos, acordes desesperados, formas disformes, frascos endiabrados, quimeras da fronteira entre a magia e a ficção, voltai: quererei fixar-vos um dia? será que este meu coração à vossa superstição se renderia? ó carnaval mirabolante, de sorrisos e de pouco siso, envolve-me, como dantes, nesse vosso triunfo: eis-me, sou vosso (gritem por mim, anjos, como se estivessem a morrer). e tu, ó canto que encantas a multidão, com a melodia que escolheres, com o timbre que quiseres, electrifica o desplante, surpreende, radiante: podes ser remédio, veneno e droga, a partir de atlas e herbários para findar rituais. segue, pela urbe, o tropel dos desejos, enquanto desvanece o chão, não se espanta; emana subtis verões juvenis e até os dragões mais lúcidos abrandam. ei-la! ó boémia de outrora, dos que se comoveram em horas de ouro, no enlanguescer do fim de um dia, em que todos aparecem despidos e gloriosos (horas de ouro… como escoaram). o amor e o aplauso são como chicotadas,...
Abracei-me.
na fuga à realidade existo no refúgio do mundo mantenho-me no meu escuro para lá da Utopia melhor esconderijo que o Olimpo desdenhado por Miguel Ângelo escarlates borboletas invernais defendo-me dos monstros e ursos armados e subnutridos senti o frio do sarcasmo a solidão do niilismo o mundo era meu para comer para lhe tirar as regras e sem medidas as réguas peguei em mim e fugi para a natureza do gelo lá ao fundo da avenida o parque central pistolas e esqueletos sinos e casamentos no corredor e o desgoverno de uma cabra braguilha desapertada saídos do escuro dois corpos perfuram a noite alvos de conjecturas as mãos dasenlaçam-se eu sei a verdade já me bastam as merdas não sou uma desilusão vivo para vos devolver ao chão o caos morreu até no divórcio arruinei a minha própria vida é isto o que me sobra não sou parte da normalidade abracei-me no cantinho do imaginário não sou quem te influencia abracei-me na insegurança do memorando murmúrios s...
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