O prosaico na campa de Paganini

Na campa de Paganini
Vi duas estátuas conversar
Disso tenho a certeza! 
Estavam à vista e não nas visões,
Eram de mármore e não de gelo,
Acenavam, apontam e confirmam
O lugar de quem
Por pactos
Electrificou os violinos
Com o sombrio.

Falaram dos jardins por onde se param
Leões — e dos quantos que sujaram
De sangue a via de lírios, com dentes
Cuspidos — fragmentos ao acaso
E em cada um, os restos das pessoas,
Os restos das caras gastas,
De quem sabia em que sítio fica o quê.

Sugeriram a palavra “Anestesia!”
Antes que a verrina soasse
Vinda numa arcada do sepulcro.
Tirem-me as dróseras
e os ramos de rosas, daqui.

Recordam o sol do meio-dia
Na cemitéria, em que tu esqueces
Com o GPS, o tabaco e o tablet
A vaga fútil de calor e desejo,
Ai sentida onda da aurora tenra...
E eu contei-lhes o quanto ansiei
Pela grandeza de ver o mapa e ler o céu,
Para fugir na crista que não se quebra
Do nosso país, que nunca existiu.

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