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A mostrar mensagens de janeiro, 2026

do abismo

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eu tentei não te largar  (mas nunca agarrei) eu não gosto das visões  da moca da ressaca. deixa-me acordar, enfim, no meio das rosas  já terminou a vida que ficou para trás  qual seria o ponto de ficar, com tudo a arder? e tudo a cair... eu sei, que sei eu… estou a cair à velocidade dos nossos sonhos  estou a desaparecer à medida que a tua cara diminui  diz-me só uma vez as únicas palavras que me dão vida  pode ser que nos encontremos do outro lado. agarra bem forte no meu coração sabes que bate por ti estou a cair à velocidade dos nossos sonhos pode ser que nos reencontremos ainda aqui. deixa-me abrir os olhos com dignidade. o mundo está adiante. salta a fronteira, (muito que custe) vamos começar,  é só escalar,  é só subir... Nossa Senhora do Caos,  se eu vou rezar, não é para fugir,  é para acordar.  

decadência néon

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[uma ars poetica ao micro-ondas] estou a reaquecer os meus nachos enquanto te aproximas de uma armadilha luminosa, como uma traça a uma chama e eu aqui a ver o microondas. “que perigo? ele é mais conhecido pelo que faz nos lençóis” este holofote não salva: expõe e queima, acende o colapso, sem purificar. se calhar, precisamos de reprogramar estas luzes? temos de sonhar com (e não contra) a cidade doente, domesticar os choques tóxicos,  fazer da queda no palco não um defeito, mas matéria de construção. temos de sonhar com (e não contra) a cidade doente, construir ação, realizar sonhos (luzes, por favor. mais fortes... não para salvar — mas para ver!) e disputar a voltagem da decadência.

Os brindes

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ó, dêem-me a vida, a categoria é:  sonha ou concretiza pesadelos! (ai, mas como será que ele ficou assim? vamos contar mais uma piada) paga o que deves às inspirações que já tolheste. este shot é pela minha dor! esta ganza é pela miséria! mantém-me preso à luz da lua, dá-me vida a cada fôlego. este  shot  é pela minha dor! esta ganza é pela miséria! fico todo fodido hoje, amanhã acordo melhor! (vamos contar mais uma piada e rimo-nos todos até ele chorar! volta para o palco e diz-nos o teu nome!) estou com os ouvidos a arder, eu ouvi tudo o que disseram o fala-barato pode custar caro e pode ter o preço da imortalidade fizeste deste chão um inferno eu que nem caminho pelas tuas ruas, nem disparo armas nos teus campos... este brinde é pela minha dor! esta ganza é pela miséria! aqui não tenho de ficar calado, aqui não tenho de ser gentil, extraordinário e restrito em simultâneo, mas repara como estou de rastos, tenho comentários agarrados às solas dos sapatos aqui eu ocupo ...

O tédio

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[Imagem gerada por IA — "não fui eu que fiz."] já sentiste a solidão,   num país inundado de sol? uma pedra num charco,   uma rosa que ceifa,   a queda infinita,   o vazio que aleija. já queimaste um teatro   por ser dramática a peça? a caravana,   finalmente a caravana,   e tudo isto num panóptico.   finalmente, na secretária,   um capítulo a descansar. já alguma vez viste   todas as linhas da manipulação   com a nitidez de um marginalizado? já escreveste um livro de pesadelos   só por estares aborrecido? e alguém me explica   porque é que o público   prefere viver constantes pesadelos   a concretizar realidades melhores?

As vénias

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quão doentiamente é que me desejas? é melhor chamares o clone que não faz o que eu te fazia. ao sair de cena parece que deixo um rasto de rebuçados pela rua... eu sei que quando eram crianças, vocês sonhavam ser assim. não se esqueçam desse desejo, respeitem o desejo. dobrem-se, fiéis. consigo ouvir os gritos,  são de prazer ou dever? eu demorei um tempinho a chegar aqui mas não pensem que acordei assim. não se emaranhem, não se confundam, isto é meu. dobrem-se, fiéis, aplaudam, felizes e triunfantes, amaguem-se, devotos; amaguem-se, fiéis, tenho tanta coroa... amaguem-se fiéis. por onde passo, um rasto de rebuçados pela rua!

Sidewinder [cover]

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lights, camera, acción , ... pronto, faço isto sozinho. deslizo pelos detritos do meu mundo e a tua alma dá-me fome —  és a presa que dá vida ao predador. não o sentes? o veneno crescer, logo pela manhã,  a ver estrelas da noite? não a sentes? uma dentada desde o âmago do veneno até ao fundo do coração? deita-te bem cedo, esta noite desaparece-me da vista não vais fugir a tempo ó, a misericórdia é tudo o que precisas ó, e para ti os meus dentes não servem para sorrir é certo, que vou despir esta pele mais tarde, mas as presas são difíceis de esconder e já te explicaram que vamos todos morrer. a escorregar pela areia da noite só te tenho a ti na mira podes fugir, mas não te podes esconder. ó, misericórdia, tudo o que precisas, ó, e para ti os meus dentes nunca serviram para sorrir para ti sou o portador do destino, o sítio errado e a hora errada, e agora o terror no ar que respiras é puro instinto, um ódio gelado. eu não me arrependo, eu não posso escapar a decisões tomadas por...

Cada Pesadelo tem uma chave

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Nossa Senhora do Caos,   Tende piedade dos obcecados,   Dai-lhes paciência     e uma mortalha para enrolar. o tempo pára   com o abrir da cortina. afinal, quem é o público   que espreita pela jaula     enquanto cantamos       aqui neste palco? é História ou é arte?   são factos ou meros sonhos?     o que fizémos ou entendemos? Nossa Senhora do Caos,   Larga a salvação.   Dai-me suspensão.     Já nem peço piedade —       só o silêncio. são rumores ou pesadelos   as vozes que silencias     quando entro em cena? as luzes ficam mais fortes   quanto mais temos de esperar     pelo vício de ser visto. Nossa Senhora do Caos,   Será que a luz     me pode engolir? com o cair da cortina,   o tempo recomeça. Nossa Senhora do Caos,   rezo:     que o teu despertar seja doce.