Os brindes
ó, dêem-me vida,
a categoria é:
sonha ou concretiza pesadelos!
(ai, mas como será que ele ficou assim?
vamos contar mais uma piada)
paga o que deves às inspirações
que já tolheste.
este shot é pela minha dor!
esta ganza é pela miséria!
mantém-me preso à luz da lua,
dá-me vida a cada fôlego.
este shot é pela minha dor!
esta ganza é pela miséria!
fico todo fodido hoje,
amanhã acordo melhor!
(vamos contar mais uma piada
e rimo-nos todos até ele chorar!
volta para o palco e diz-nos o teu nome!)
estou com os ouvidos a arder,
eu ouvi tudo o que disseram
o fala-barato pode custar caro
e pode ter o preço da imortalidade
fizeste deste chão um inferno
eu que nem caminho pelas tuas ruas,
nem disparo armas nos teus campos...
este brinde é pela minha dor!
esta ganza é pela miséria!
aqui não tenho de ficar calado,
aqui não tenho de ser gentil,
extraordinário e restrito em simultâneo,
mas repara como estou de rastos,
tenho comentários agarrados às solas dos sapatos
aqui eu ocupo o céu inteiro
desenrolo-me e tomo o meu tamanho
rebento com os retalhos e os telhados,
não estão felizes por ter vindo?
como é que vos posso abandonar
sem fôlego, a pedir e a implorar,
a gritar o meu nome
(aplaudam-no,
eu acho que ele nos tem reféns!)
o silicone, a salina e o veneno,
a fama, injectem-me, sou livre.
de cruz às costas,
evangelho escrito, estou livre.
a simpatia, a magia e a miséria,
a maluqueira e o mistério,
a colheita, a agulha, a fieira
protegem-me do mal,
este brinde é pela minha dor!
este aplauso é pela minha miséria!
e eu pareço exactamente o mesmo.

Comentários
Enviar um comentário