decadência néon

[uma ars poetica ao micro-ondas]


estou a reaquecer os meus nachos

enquanto te aproximas de uma armadilha luminosa,

como uma traça a uma chama

e eu aqui a ver o microondas.


“que perigo? ele é mais conhecido pelo que faz nos lençóis”


este holofote não salva: expõe e queima,

acende o colapso, sem purificar.

se calhar, precisamos de reprogramar estas luzes?


temos de sonhar com (e não contra) a cidade doente,

domesticar os choques tóxicos, 

fazer da queda no palco não um defeito,

mas matéria de construção.


temos de sonhar com (e não contra) a cidade doente,

construir ação, realizar sonhos

(luzes, por favor. mais fortes...

não para salvar — mas para ver!)

e disputar a voltagem da decadência.




Comentários

Mensagens populares deste blogue

Eterna Ária da alma desse Pesadelo

Clube dos poetas loucos

teoria da quimera