debaixo da máscara

o amor é como um comboio,

podes sempre esperar pelo próximo.


queira compreender e acompanhar-me, 

próxima paragem: Desespero. 

este vagão não pára em apeadeiros.


se na superfície, sou uma criança diabólica;

lá no fundo, eu só quero a santidade.

não julgues pela capa:

este abismo é mais profundo do que parece.

hipoteco a abnegação à espera de um credo,

a cair, a sufocar, sem ar!


e mais uma vez, bem-vindos a um novo começo!

reinicia o espectáculo!

não vejo diferença entre piadas e testemunhos,

entre ser real ou majestoso,

tudo se confunde no mesmo esboço,

se uma simples lambidela te deixa a desejar,

eu deixo a marca, para mais tarde lembrar,

antes de bater, meritoriamente, no teu fundo.


abana a anca, realizo-te os sonhos,

parto corações, desalinho contornos,

mudo de roupa, assumo a tua voz,

sou o papel que escreves em nós!

mestre de sonhos, leitor de mentes,

motor de mestres, tudo o que sentes

num papel principal.

gato de rua, estrada crua,

numa grua, ergue-se nua!

o renascimento é da Vénus de Milo

e achas mesmo que ela é tua?

vilão doentio, romântico bonzinho,

o que couber na gaveta desse sonhinho!


e não me importa tentar:

ser outra pessoa, experimentar, 

mudar o disfarce, 

refazer a face, 

só para ver no que dá!

só para vos ver felizes!

(rezem por mim, que não consigo parar de dançar!)


e quando passo pelo reflexo,

é outro, vejo intenções,

não me vejo a mim,

sou o teu estranho perfeito,

e recuso-me a ser-te a ti

quando é tudo de tão mau gosto

— está abaixo do meu nível.

(you love to hate me, na-na, na-na, naaaaa)


eis o meu convite informal:

tu e eu numa mascarada,

perdidos para sempre nesta fachada!

será o amor coisa imitada?!

queremos o que temos?  e se não queremos?

sem problema! ainda fodemos?


se o amor é um comboio, esperamos por ele,

mesmo depois de ter passado.

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