a verdade pode ser feia, eu sei, repleta de nomes perdidos, dos que já foram... mas gelam-me as veias pelos defuntos e pelos seus sonhos, que em mim ainda moram. e quando choro em queda corrupta, quando estilhaço em álcool que derrama, cascata densa, tempestade abrupta, arde o néon que nos inflama! e podes levantar as mãos! vamos tentar! apanha-me as lágrimas antes que o mar as junte às ondas, mas consegues detê-las? para juntos sermos um paraíso de néon a ver estrelas? quando o sangue me enche de tesão e sinto que sou inflamável, seja cortisol ou em combustão, estou no ermo do irreparável! há dias em que não sintonizo, caio por dentro, perco o piso... se quiseres ficar até me fartar, talvez me consigas fazer degelar. há dias em que me sinto tão novo... a revirar o cânone, provocar o povo! a remexer nas regras do porvir, e escolher eu mesmo o que hei-de seguir.
1ª Cena do Acto I: No país das histórias que ficaram por contar. "Na unidade original da primeira coisa Encontra-se a secundária causa de todas as coisas Com o germe da sua inevitável aniquilação." — Edgar Allan Poe Não existe pior tormento para um autor do que uma história que ficou por contar. Talvez não seja a forma correcta de o pôr: não há nada pior do que uma história que ficou por contar . Esta é a história de um estranho caso que ficou por resolver, talvez até tenha ficado por descobrir uma via para a sua solução. O melhor seria que a solução não fosse a dissolução na torrente de histórias que cada vida é. No meio das ruínas do que parecia ser um laboratório abandonado, mas não sem antes ter sido vandalizado, descobri uma pasta de cabedal negro. De cada lado da caixa podiam ler-se inscritas algumas palavras, uma espécie de código: "JE/KILL" de um lado e "JE/HIDE" do outro. Claro que é de estranhar este aparente bilingue, o francês...
o amor é como um comboio, podes sempre esperar pelo próximo. queira compreender e acompanhar-me, próxima paragem: Desespero. este vagão não pára em apeadeiros. se na superfície, sou uma criança diabólica; lá no fundo, eu só quero a santidade. não julgues pela capa: este abismo é mais profundo do que parece. hipoteco a abnegação à espera de um credo, a cair, a sufocar, sem ar! e mais uma vez, bem-vindos a um novo começo! reinicia o espectáculo! não vejo diferença entre piadas e testemunhos, entre ser real ou majestoso, tudo se confunde no mesmo esboço, se uma simples lambidela te deixa a desejar, eu deixo a marca, para mais tarde lembrar, antes de bater, meritoriamente, no teu fundo. abana a anca, realizo-te os sonhos, parto corações, desalinho contornos, mudo de roupa, assumo a tua voz, sou o papel que escreves em nós! mestre de sonhos, leitor de mentes, motor de mestres, tudo o que sentes num papel principal. gato de rua, estrada crua, numa grua, ergue-se nua! o renasciment...
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