[título alternativo: Uma crucifixão é como ver de cima] Para quê ter uma voz, se já ouço vozes? Atrozes, velozes, a fugir por ensaiadas poses? Osmoses de egos sem posses, credores morais, cobranças banais, prostituições intelectuais. Eu admito, sou um bocado solitário, tive de crescer criativo, para não parecer ainda mais perdido. A minha mãe ensinou-me a não falar com estranhos, agora o estranho sou eu e ninguém me fala. Passei demasiado tempo a cultivar mística, (farmar aura na rotina banal) E posso não ser um bom exemplo: não singrei, fiz-me feliz, o que eu digo não se escreve, e o que eu escrevo não se diz e tirando este verso, os outros todos são as mentiras que eu quis. Mas só vejo um tipo de pessoas imitar-me (estou a ver-te, sim) e se ninguém aqui me dá, eu tiro (instinto, impulso, estilo) vou ser vilão por umas horas, para ver quem vos salva desse delírio! Se não te vês no futuro ( mutatis mutandis, trocado por miúdos) és descartá...
os melhores esquemas traçados pelos homens e pelos ratos nascem certos, morrem tortos são dívidas a prestações por risos a curto prazo. bom dia, o meu nome é n-n-não vale a pena, conhecer-me (longe de mim!) é risco desnecessário, há dias em que fujo dos holofotes, outros em que não evito o contrário (e eu não sei ficar parado) eu não sei se sou eu que não tenho o tempo, ou se é o tempo que não me tem a mim... se calhar, tenho de escrever mais uma (estas últimas não bateram) se não me meto a escrever vou fazer os trabalhos de deus pro bono mas o Bono, desde que casou, acredita numa vida depois do amor e eu já só acredito no amor depois da vida. queres passar à frente? (tem calma) pede às Musas pulmão para este fôlego, ou instinto para estas altitudes, não conheces esta arte? (ciência profética) não leste o livro? vê o espectáculo, não viste os sinais? sente o impacto. e quando olhas para o horizonte (nem uma nuvem) mas o olho do furacão já te engoliu, parece que veio do nada...
[Com interpolações de NERVE] Preâmbulo: Isto não é para novos. Regra número um: faz regras e esquece-as. O corolário é evidente. Não me dou bem com nós e laços . Sou amigo dos fleumas, que guardo nas veias; dou-me bem com os nervos frios das cadeias, se tentas salvar-me, sustém a respiração: E digam ao Mestre de Pesadelos que estou no ponto em que a tortura parece uma bênção. Não me dou bem com nós e laços , aprendi a entrar em silêncio, por passos baixos, sem pedir licença, sem liberdade de expressão, porque "o demónio mora ali, na porta em frente à porta em frente à minha". No princípio era o ruído, o rumor no corredor, dito baixinho, a edificar uma casa de terror. Não há aqui quem ame; há quem observa, há quem mede a distância entre o rosto e a reserva. Um gesto fora de tempo, uma frase mal traçada, a repetição, a dúvida, tenho a alma destravada. Partir corações é só a superfície, apenas o começo, a parte mais funda é fazer do medo um endereço. Tu não viste quando começou....
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