As imagens na minha retina passam mais depressa do que se fixam! Mais uma volta e pode ser que fique eterno! Queria estudar a honestidade através de um olhar selvagem, mas a estranheza das asas persiste em erguer-se! Há uma alquimia secreta, obscura e delicada, onde a mente do artista se faz labirinto e as almas perdidas ensaiam felicidade e ferida. Como um poema dito por um velho bandido, Escutas as palavras que sempre te prometeram! Num timbre assombrado (já te sentes perdido) Está na hora de lançares o feitiço da noite! Se a fantasia pudesse inventar um amigo, a paleta dos vossos sonhos incendiaria o mundo, para além do universo (esqueçam o seu fim). A vida só se cumpre arte num lugar terminal, onde o paliativo é lugar sem promessa, onde a natureza cavalga sem rei nem tribunal. Oh! Fantasmas da pista de dança, venham a mim — cantem-me a melodia das minhas vergonhas! Engasga-te na tua própria fama, até te livrares da lama, senta-te na fila da frente...
Prelúdio O público movimenta-se em volta de uma cortina vermelha com o título bem indentado: O caso caos. Podia ouvir-se os murmúrios, finalmente haveria uma explicação, finalmente saber-se-ia o que aconteceu, finalmente... Como se ver aquela cortina levantar-se e, meia hora depois, fechar-se fosse finalizar o que quer que fosse. Como se pontos finais saltassem da pontuação para a vivência. Como se a arte pudesse explicar a vida. E o que é que veio primeiro? A vida ou a arte? Nota-se uma mudança no tom do narrador. O que vai aqui ser contado pode parecer justificar acções, mas qualquer semelhança ou sentimento de alívio que possa suscitar é um fortuito meramente surgido do acaso das correspondências. É que por vezes, as pessoas na vida têm o mesmo número de membros que as pessoas da ficção. Mas as pessoas da ficção não fazem tantos acrescentos à ficção como as pessoas da vida. O público acalma-se, senta-se, continua a falar entre si, continua sempre a falar, receio até que cause di...
[Com interpolações de NERVE] Preâmbulo: Isto não é para novos. Regra número um: faz regras e esquece-as. O corolário é evidente. Não me dou bem com nós e laços . Sou amigo dos fleumas, que guardo nas veias; dou-me bem com os nervos frios das cadeias, se tentas salvar-me, sustém a respiração: E digam ao Mestre de Pesadelos que estou no ponto em que a tortura parece uma bênção. Não me dou bem com nós e laços , aprendi a entrar em silêncio, por passos baixos, sem pedir licença, sem liberdade de expressão, porque "o demónio mora ali, na porta em frente à porta em frente à minha". No princípio era o ruído, o rumor no corredor, dito baixinho, a edificar uma casa de terror. Não há aqui quem ame; há quem observa, há quem mede a distância entre o rosto e a reserva. Um gesto fora de tempo, uma frase mal traçada, a repetição, a dúvida, tenho a alma destravada. Partir corações é só a superfície, apenas o começo, a parte mais funda é fazer do medo um endereço. Tu não viste quando começou....
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