prelúdio para um labirinto
ó sonhos virtuosos, acordes desesperados, formas disformes, frascos endiabrados, quimeras da fronteira entre a magia e a ficção, voltai: quererei fixar-vos um dia? será que este meu coração à vossa superstição se renderia? ó carnaval mirabolante, de sorrisos e de pouco siso, envolve-me, como dantes, nesse vosso triunfo: eis-me, sou vosso (gritem por mim, anjos, como se estivessem a morrer). e tu, ó canto que encantas a multidão, com a melodia que escolheres, com o timbre que quiseres, electrifica o desplante, surpreende, radiante: podes ser remédio, veneno e droga, a partir de atlas e herbários para findar rituais. segue, pela urbe, o tropel dos desejos, enquanto desvanece o chão, não se espanta; emana subtis verões juvenis e até os dragões mais lúcidos abrandam. ei-la! ó boémia de outrora, dos que se comoveram em horas de ouro, no enlanguescer do fim de um dia, em que todos aparecem despidos e gloriosos (horas de ouro… como escoaram). o amor e o aplauso são como chicotadas,...