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A mostrar mensagens de agosto, 2026

beladona de Láquesis

estou a viver em tempo extra um décimo-terceiro esforço para uma vigésima-quinta hora. enquanto a tensão cresce e a lua corrompe o caos que se vê e o caos que se é talvez se confundam, na ária de um pianista sem nome, num poema pintado em nuvens, nas badaladas das beladonas... (que sempre houve anestesia na alquimia) hora obscura, talvez já diurna e amar corta como uma lâminas de pétalas a perder o tempo em levitação e delírio... será que devia pegar fogo a tudo — a fama, a fortuna e que mais! —  contigo ver tudo arder, e começar de novo? é que até a gente boa sangra... mas há uma luz,  no meio de tantas, uma, e uma pista de dança sobre que olho, ambas me contam algo que se passou: do fogo no nosso chão, da devassidão da minha devoção, para que o mesmo conto se repita e onde está o nosso olhar estrelado? onde acaba a glória e começa o sonho.

anjo baleado, anjo baleado

os tiros foram disparados  pelas veias da cidade, anjo baleado, anjo baleado, por que é que ficou tudo especado? anjo baleado, asa da lua cheia, leva-me daqui, leva-me para nenhures: inferno, purgatório, matriz, das maravilhas um país, constelação da veia láctea, para junto das ondas que cospem vidas possíveis  por um triz. anjo baleado, anjo baleado, imagem constelada, lágrima cristalina, ferida que brilha, ruína que ilumina, ao fim do dia, só queremos sair daqui, (como pudermos, sem nos explicar) confortavelmente errados, estranhamente inteiros, sem obrigação de regressar. anjo baleado, anjo baleado, a empatia pode resolver esta realidade, uma sociedade da saciedade, catástrofe, situação fodida, no pavimento, em confusão repetida, aplauso para uma rima desmedida. anjo baleado, anjo baleado, as lágrimas de um dragão podem não sarar pauis, mas tenho escamas, podemos resistir à condição! e escorre-me sangue pela mão, para reescrevermos a dissolução! anjo baleado, anjo baleado, ...

pétalas pesadas

pétalas caem como lágrimas num pântano. e de quem é a culpa? minha ou da vegetação? jogo xadrez com dados de faces incertas e aperto-te nos meus braços mais um pouco enquanto o mundo estiver a acabar... mas eu ainda nem comecei: era uma vez, num sonho alcançar-te, da porta que nunca se fecha contar-te, e ravina abaixo, pela noite, arrastar-te até que a luz de presença se despedace. há algo em mim que quer amar-te sem piedade nem perdão, revelar-te diante do medo que não queres ouvir, sussurrar-te... mas quase me afogo em pétalas, só queria poder dizer adeus às fotografias das vidas que não vivi; às centenas estendidas na enfermaria da hecatombe; se esta é a minha maldição, aceito-a de bom grado. uma ruína conveniente, pétalas pelas roseiras, um sacrifício psicótico, retratos de pétalas filtradas, dizem que não há corações partidos no paraíso. e quando a aurora iluminar mais pétalas que me deslizam pelas coxas talvez já não tenham sabor a sal, talvez sejam só mais um nome elegante para ...