continua a falar, só te violas a ti mesmo. Comentaste que era louco, Que era só mais uma piada — Agora esta casa é minha. Se me querias ver morto, Bastava só dizeres — Estás a dar-me vida. Consegues ver a dança dos mortos? Consegues ver as caras que beijaste? Os olhos por que obcecaste? E os dentes que me arrancaste? A todo o custo contém o teu escândalo, O meu bom nome é meu para desgraçar. Não há caos, nem loucura, Só a voz ríspida e clara, Mais clara que qualquer ideia, A romper a orgia da falta de ânimo: A luz sobre o protagonista desse pesadelo (Se me querias ver morto, bastava admitires).
estou sempre bêbado nas minhas lágrimas, numa constante moca por causa da reputação e ponho narcóticos nos planos de aula, não é o que todos dizem? as crianças entram na minha casa cheia de teias, mas eu processo-te se pisares o meu quintal, que eu sou temeroso e miserável, perverso e injusto, esqueceram-se de levar este drogado funcional. eu quero gritar aos céus o quão perturbado tu me deixaste: tu não tens o direito a dizer-me o que é tristeza. tu não tens o direito a dizer-me que te sentes mal. tu não duravas uma hora no asilo onde me criaram. eu era gentil e bondoso até que o teu circo me tornou cruel. tu atraíste, magoaste, aprisionaste e chamaste-me louco. então, quem é que pode ter medo de mim? e é por isso que ainda sonhas comigo.
o obsceno, o irreal, o efémero e o inefável encontram-se num parto: eu nasci num cenário turvo e tenho por hábito que o meu tumulto não passe de um banho de rosas. foi preciso um palácio do oblívio, onde o cima era baixo, e o estimado era esquecido. foi precisa uma escada para o céu, um jardim de delíquios violentos, um inferno de maremotos. foram precisas cerca de 666 versões diferentes de mim mesmo, oh, como se diluem todas no tempo... e eu pareço exactamente o mesmo. foi preciso um asilo de marfim para eclodir esta teoria da quimera. e por aqui ando eu. a fazer os trabalhos de deus.
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