pétalas caem como lágrimas num pântano. e de quem é a culpa? minha ou da vegetação? jogo xadrez com dados de faces incertas e aperto-te nos meus braços mais um pouco enquanto o mundo estiver a acabar... mas eu ainda nem comecei: era uma vez, num sonho alcançar-te, da porta que nunca se fecha contar-te, e ravina abaixo, pela noite, arrastar-te até que a luz de presença se despedace. há algo em mim que quer amar-te sem piedade nem perdão, revelar-te diante do medo que não queres ouvir, sussurrar-te... mas quase me afogo em pétalas, só queria poder dizer adeus às fotografias das vidas que não vivi; às centenas estendidas na enfermaria da hecatombe; se esta é a minha maldição, aceito-a de bom grado. uma ruína conveniente, pétalas pelas roseiras, um sacrifício psicótico, retratos de pétalas filtradas, dizem que não há corações partidos no paraíso. e quando a aurora iluminar mais pétalas que me deslizam pelas coxas talvez já não tenham sabor a sal, talvez sejam só mais um nome elegante para ...
Não tenhas pena de mim. Não sou tão solitário como pareço. Eu vivo a minha loucura comigo mesmo. Quando atirarem as primeiras pedras estarei pronto. Na solidão desta insegurança, o meu mundo pequeno e só da minha alma. Assim me apedrejarem pela libertinagem que não exibo, vou abrir os braços e defender tudo o que merece. Sejam eles os mais ímpios e criminosos, os que erraram por justa causa. E sou Cristo que morre pelos pecadores. Sangro injustiça, o caos em meu nome e apenas na direcção do meu corpo. Quando Lúcifer e Elohim matarem o Rei do seu Trono e declararem guerra a qualquer diferença, vou respeitá-los como me desrespeitaram a mim. Não estou pronto a morrer, nenhum de nós está. É assim que marcamos a diferença: humanos tristes que morrem por nós, deuses e deusas na nossa diferença. Caminho por cima do fogo que queima os crentes sem o sentir. Em direcção a uma campa cujo epitáfio é escrito a letras carmim. Corro as mãos pelas letras relevadas e penso que nada dist...
no corredor do jardim das rosas, no meio dos arbustos húmidos, da noite em que tudo ficou — se for aquela mesma. há sempre uma excepção para tudo uma luz que trila no eco das ondas do lago em que se desfaz o reflexo — de tudo o que lá se via. no meio das rosas há uma outra flor como tantas, mas esta mais, mesmo mais, mas muito mais — rubro ânimo dos meus ideais. que reluz sem florir destapa o fumo azul a luzir do reflexo ao lado do lago — em que tudo se esconde. as vermelhas cadeias de vapor do orgulho, o negro encher-se de si próprio, arrogante verdade — frágil e insustentável, treme.
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