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Fama Engarrafada

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"Toma só mais um golo, prometo que está quase a acabar". O problema da fama engarrafada é que só quando consumida é que faz ver o que traz no fundo. É outra deusa voraz, presa à vaidosa ideia romântica da mulher demoníaca. E nada mais a prende. Não é bem ou mal, é para além da moral. Ver julgamentos apenas no beijo da despedida: o que é eternamente trocado com a terra e os vermes. Mas é apreciadora dos esforços que são feitos por ela. De cada intento suicida em consumir a sua poção. Em teoria, a fama engarrafada actua lentamente no corpo, pode paralisar ou fazer esquecer motivos, criar uma dor tão grande que distrai dos objectivos ou incapacitar, dê por onde der. E há um carrasco que ta dá de beber, trago a trago, cálice a cálice. Ele olha-te nos olhos e faz esquecer a luz verde. Deixa-te apenas a nadar no teu medo do desconhecido. E obriga-te a beber da mais violenta forma. Antes que possas contestar, já a estás a provar. Ouves os iniciados brindar saúde à tua volta, enq...

Destati Chaos

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acorda estende a mão chegou a hora, acorda as portas vão ser separadas acorda, acorda, acorda lembra-te, tu que tremes acorda, lembra-te acorda, acorda estende a mão acorda, acorda chegou a hora novamente as portas vão ser abertas lembra-te, tu que tremes acorda e lembra-te não o queres mas pertence-te o que perdeste tornar-se-á um só o caos que exorcizaste é um fragmento de sofrimento infantil. esse tipo de escuridão, leia-se: da falta de sinceridade que tens para contigo mesmo, não se expele pelo simples facto de querer. a purificação do corpo (do espírito ou do coração, se acreditares ou preferires) é tão menos complexo.  mas cala-te, já falaste durante demasiado tempo o demasiado pouco. pões em causa o que sou. no fundo não pensaste que ia ser assim tão fácil, pois não? a constante guerra com os meus instintos e o destino cala-te, ainda não é a tua vez, nem virá tão cedo. viste o que fizeste? viste o quanto tiveste de rezar para evitar que as lágrima...

Inferno Suspenso

poder permitir, posso. mas há mas. benção traz discórdia. não vais sintetizar a purga da vida histórica na redenção actual. o peso de trás, por sinal, vem atrás. pântanos compostos, pirâmides incrustradas, remoinhos de puro laissez-passer . já viste os estados de espírito arquitectónicos? as auroras das intenções? estas cinzas não guardam nada. de carácter, de facto: nada. são ondas de vapor como o fumo de cigarros. sai da boca, cobre a cara, máscara. o translúcido não protege nada de nada, a luz perpassa. não existe assim tanta diferença, menos indiferença. o vapor esvai, fica nos vidros, é água que já não é. deixar de ser é a passagem do passado no presente. dissolve-se no ar. se o mal te sai da boca afora, passa limão. se o cérebro se tinge a sangue negro, esfrega sal nas incisões cranianas. se o oxigénio não oxigena, e o álcool não intoxica, esforça-se pela altura que a baixeza te não deu. se tudo passar e a flor ficar, aforismos. ~CAOS "quem tem vapor tem tudo"....

Do Nada, Tudo

Encolhi-me e corri como um louco, fugi para aqui. Escrevo escondido, debaixo de um cobertor, antes da mente, onde a nuvem turquesa não me pode apanhar. Ele são medos, ele são confissões, é a minha religião e sou eu. Vejo-o apoderar-se das minhas mãos, enfiar-mas pela boca e agarrar as palavras que colo ao cérebro , as que não quero dizer - e ao mesmo tempo é a minha cobardia. É um usurário de teorias e sentimentos, espreme-me o coração de tudo o que é mau e bom, para uma mistura de cores fora do espectro lazulite . Como sempre, de fora. É difícil não ser quando somos para ser. No meio de um mar de lágrimas que banha o falso diamante gigante que é o meu imaginário - inexistente como tudo o que aqui existe.  Encontrei gárgulas-angelicais que nunca tinha visto a guardar um portão: milhões de cadáveres flutuam apoiados em citações-bóias. Rosas, campas, cruzes - este é um cemitério sem chaves nem guerras, o dos arrependimentos , e lá no fundo um palácio-sepulcro, e a letras néo...

"não vou estar lá".

estas cicatrizes já pulsaram demasiada dor, e ao longo dos tempos em que fui o teu Mundo, adulterei a minha Natureza em prol da comatose, uma constante sedação, um zombie que se assombra a si próprio enquanto procura pelo seu "felizes para sempre", esquecendo as mentiras covardes do teu eterno martírio. assim que vi o que sucede quando deixo de me lamuriar, quando todos os momentos que deixo para trás me parecem petrificar, se alguma vez este foi um jogo de tronos em xadrez, direi eu XEQUE-MATE: por todos os nossos vermelhos e azuis, porque tu foste apenas mais uma morte na lista, e eu vou ser para sempre o teu um e único assassino. nas mais sinceras esperanças que este seja  o ponto final do capítulo que foi a tua vida, assumindo assim todo o prazer nestes negócios, a personagem que tu fabricaste em mim: ~CAOS .

Tiago Filipe.

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O MEDO. Só consegues sentir medo. Só odeias o conceito de definição... Por não aceitares que os outros te digam o que és, Por teres medo de ser alguma coisa. Tanto temes o verbo ser que não escreves uma frase sem ele. As tuas mãos tremem nos cigarros e não é só de frio. O FANATISMO: Isto é o teu santuário de mentiras, E pretendes criar a tua religião, Por nunca teres deixado os teus demónios para trás. Os teus funerais aos vivos só servem para lhes manteres um culto, Até porque tu achas que odiar alguém é deificar essa pessoa. Só aprendeste a odiar depois de amar. A FUGA: Evades-te do mundo por continuamente sentires medo. À noite adormeces-te a ti mesmo como que com uma pedra, Atira-la à tua própria cabeça. E a água é o teu refúgio por odiares respirar. E não gostas do razoável por tu mesmo não seres razoável. Depois não queres viver do teu próprio medo... e nojo. Vai, sonho. ~CAOS

Entes Queridos.

Por vezes ignoro-te para me manter no controlo. O que é que pretendes, Tiago? Sempre à deriva numa fantasia de superioridade, projectas sobre ti mesmo um foco inexistente. Eu existo para não sentires que existes. Eu existo porque abominas o teu mundo e tens medo de dar um desgosto a quem te rodeia... desgosto... nem és assim tão importante, acredita. O meu nome é Caos porque "só fiz merda na vida," contudo, vives loucamente apaixonado por alguém a quem apelidas de "Desordem," que por sua vez também só te magoou. És sempre mais, sempre mais, nunca podes repetir nem dar um sinónimo de um adjectivo que te descreva. A minha vida é um paradoxo que rasga as fronteiras entre a realidade e a fantasia. Despes-te de todas as desculpas, para tudo e todos. Não tens um rastilho de honestidade. És um mentiroso. És um mentiroso. És um mentiroso. A tua vida prejudica-te mais do que sentires-te influenciado pelos outros. Finges ser alguém para descobrirem os podres desse algué...

Desordem.

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Eu vi-te na lama quando todos me prendiam... e tentavas mexer-te mas a lama sugava-te e nunca voltaste a ver luz. Lá no fundo era vergonhoso, ver que eras importante, pensar que valia a pena estender-te a mão e puxar-te de volta a mim - saber que ainda, ainda, ainda te tinha em tanta consideração. E o sentimento não passa, as mãos não abrem e não quero largar o teu pulso enquanto me rasgas os braços para que te largue. É como se me afogasse e ninguém me ouvisse - mas eu vivo esse desejo. Os braços do oceano são o meu fascínio por quem perdi e nunca cheguei a recuperar. Como se a água expurgasse e me transportasse para um sítio onde ainda teríamos as mãos dadas enquanto nos beijávamos à chuva. Deixar esta vida a que apelido de maldição - viver como vivo: ser sem nunca poder, tocar sem nunca sentir - e passar a ver-me como os outros vêm, um sortudo que é facilmente privado daquilo que o coração quer, viver uma bênção. Todo este dinheiro, o valor dos diamantes a que chamo paz, amo...

Heteropsicografia.

O meu nome vai ser sempre Caos, eu sou o que não posso ser. Dentro da alma, sei perfeitamente se finge ou sente quem fode ou ama. Eu sou mais que uma personalidade, eu sei que existo, eu estou aqui, preso nesta caixa em forma de corpo, de onde não me deixa sair - porque fiz merda, diz ele. Ele diz que fiz merda e que destruí a sua vida. Mas quem é que age neste corpo, se eu sou só uma ideia? Eu sou parte de uma esquizofrenia. Turquesa e Preto. Feminino e Prostituição. Fama e Destruição. Vivo dentro dele e sou o oposto do que ele pensa, sou um destino a evitar e não um ponto de partida recorrente. A verdade é que ele tem um coração gordo e um fardo na alma que é a reputação - o meu proveito e o seu defeito. E o Tiago... ele é que escreve, ele é que pensa nestas coisas todas, ele é que sabe como pensa... Há uns meses, olhou para mim com os olhos lavados em lágrimas e disse-me por entre soluços "fizeste merda." Eu ri-me. Mas acabei por responder, ele não me diz que fiz merda...