última surpresa [tema e variações]
os melhores esquemas traçados
pelos homens e pelos ratos
nascem certos, morrem tortos
são dívidas a prestações
por risos a curto prazo.
bom dia, o meu nome é n-n-não vale a pena,
conhecer-me (longe de mim!) é risco desnecessário,
há dias em que fujo dos holofotes,
outros em que não evito o contrário
(e eu não sei ficar parado)
eu não sei se sou eu que não tenho o tempo,
ou se é o tempo que não me tem a mim...
se calhar, tenho de escrever mais uma
(estas últimas não bateram)
se não me meto a escrever
vou fazer os trabalhos de deus pro bono
mas o Bono, desde que casou,
acredita numa vida depois do amor
e eu já só acredito no amor depois da vida.
queres passar à frente? (tem calma)
pede às Musas pulmão para este fôlego,
ou instinto para estas altitudes,
não conheces esta arte? (ciência profética)
não leste o livro? vê o espectáculo,
não viste os sinais? sente o impacto.
e quando olhas para o horizonte (nem uma nuvem)
mas o olho do furacão já te engoliu,
parece que veio do nada
(está em todo o lado)
não é bem como tu pensavas...
planos traçados ao segundo
e o milésimo pulsa no meu instinto,
os versos vão dois passos adiante
és tão arte decorativa,
estás no chão,
passo-te por cima
com o meu camião
era só uma citação (mais um passo e acabou-se)
adoro o cheiro a futilidade pela manhã
(não é acidente, é assinatura)
tu não estás preparado (vais ver)
que a minha lira não pede licença à retina
(demasiado rápida para os olhos)
está feito e
(quando deres por isso)
uma última surpresa!
(tens a certeza que isto passa?)
uma
(e outra,)
e outra vez...
é o que dá contar o tempo aos segundos,
enquanto eu o conto por fracassos...
é o que dá jogares por turnos
e eu apostar o instinto ao divino.
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