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Pária

(Tradução de Waif de Henry Wadsworth Longfellow) O fim do dia e a escuridão descem das asas da Noite Como penas que flutuam da águia no seu voo. Vê as luzes da vila na chuva e no nevoeiro Chega-me a tristeza a que a alma não resiste; Tristeza e nostalgia, que não parecem dor, Apenas sofrimento, como o nevoeiro se parece à chuva. Lê-me um poema, uma disposição do coração, Que acalme o sentimento e castigue o pensamento. Não dos grandes mestres, nem dos sublimes bardos, Cujas pegadas ecoam nos corredores do Tempo. Pedaços da música marcial, grandes pensamentos sugerem Eterna fadiga e esforço da vida; esta noite procuro descanso. Lê-me um poeta humilde, de canções do coração Como a chuva no Verão, ou lágrimas das pálpebras; Nos dias de trabalho nas noites sem calma, Ouve-se música na alma, maravilhosas melodias. Canções que aquietam o indomável pulso do inquieto, Chegam como bênçãos, póstumas à reza. Lê-me do volume valioso o poema que quise...

Destati Chaos

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acorda estende a mão chegou a hora, acorda as portas vão ser separadas acorda, acorda, acorda lembra-te, tu que tremes acorda, lembra-te acorda, acorda estende a mão acorda, acorda chegou a hora novamente as portas vão ser abertas lembra-te, tu que tremes acorda e lembra-te não o queres mas pertence-te o que perdeste tornar-se-á um só o caos que exorcizaste é um fragmento de sofrimento infantil. esse tipo de escuridão, leia-se: da falta de sinceridade que tens para contigo mesmo, não se expele pelo simples facto de querer. a purificação do corpo (do espírito ou do coração, se acreditares ou preferires) é tão menos complexo.  mas cala-te, já falaste durante demasiado tempo o demasiado pouco. pões em causa o que sou. no fundo não pensaste que ia ser assim tão fácil, pois não? a constante guerra com os meus instintos e o destino cala-te, ainda não é a tua vez, nem virá tão cedo. viste o que fizeste? viste o quanto tiveste de rezar para evitar que as lágrima...

Guzmánia

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no corredor do jardim das rosas, no meio dos arbustos húmidos, da noite em que tudo ficou  — se for aquela mesma. há sempre uma excepção para tudo uma luz que trila no eco das ondas do lago em que se desfaz o reflexo — de tudo o que lá se via. no meio das rosas há uma outra flor como tantas, mas esta mais, mesmo mais, mas muito mais — rubro ânimo dos meus ideais. que reluz sem florir destapa o fumo azul a luzir do reflexo ao lado do lago — em que tudo se esconde. as vermelhas cadeias de vapor do orgulho, o negro encher-se de si próprio, arrogante verdade — frágil e insustentável, treme.

Coleridge Blues

O relógio faz tic e os ossos que pisas tac . Os manuscritos que me deste a decorar escorrem lama porque os deixei cair à fonte, deliberadamente, para me poder ajoelhar no palco, dos momentos de abertura ao fecho das cortinas, e soltar a maré do improviso. Quando os quatro cantos do redemoinho desabam e a ilusão que estava entre o roxo e o negro, o histórico e o histérico, essa suspensão dissipa, atiro os braços à cama, sem hábito ou vício, fecho os olhos e, a rezar, componho uma carta ao amor. Digo-lhe para engolir o seu destino, pensamento e expressão. Fico a sós com o suplício. Penso em tudo: a acusação de bruxaria enquanto te ferram a fraqueza na alma. E eu fecho o punho e guardo a força eterna nas palavras, solto a sensatez romântica no pranto e permaneço na desventura. De novo, no palco, a gritar porque o inferno me saiu pela culatra: os monstros dançam e pontuam as celas. O ferro que se crava nas costas entende o aperto da vontade de poder. Arde a febre absoluta, o desej...

o meu erro fatal interno

nas veias do mundo passam códigos esverdeados, líricos, vivos mas não poéticos. são os próprios compósitos e compositores do mundo: sinfonia e orquestrador, a batuta e a alma de cada órgão, por mais tropical que seja a sua distância. de facto, tudo isto é tudo. repetido. sequencial. transtornado. mutado. morto e matador, catado e caçador, deus e ateu. é o que nos junta os espíritos... ou melhor, reunem-nos na própria matéria ou na alma que a anima. não sei, não preciso de mais alucinações acerca destes pequenos trabalhadores. sei o pouco que sei. se os tentasse organizar alfabeticamente, iria encontrar variações do Z que fariam mais sentido no meio das acentuações do A. há um azul do sangue tão azul que nem o vermelho do mar é tão vermelho, ou algo do género. num piano, um réu pode estar por detrás de si, mas não em composição, em apresentação. o que importa é expor o feiticeiro de Oz, queimar a bruxa, trazer para o palco o que está nos bastidores. glamorizar os pequenos átomos que...

o meu potencial hediondo

Duas macas, uma cortina e a luz de um trovão, remove-se à campa a estátua do epitáfio, que refere a vida como romance não publicado, os retalhos de um corpo incauterizado. Pulsões de corações anoréticos, emergem em direcção aos pulmões, mais O, menos H, e uns orgasmos mas nem todos são o teu funeral viking. A flecha voa da falésia, roça as rochas a cair, os alpinistas a subir gritam uma última vez, preferimos os nossos amigos verdes e com um sepulcro poder procriar. Desesperam os sedentos que imploram fel, descobrem uma pobre inepta obsessão, de ressalvar das fotografias os fotões da pele, como tampas de urnas que esperam a revolução. Regras? Quem falou em regras? Prática? Ética, estética, combustão frenética, fulgurações da telequinética em Ática, Tichè, trémula, acumula filhas, pare esquizofrénica.

A Fieira

Para arrancar rosas às faces de um pântano E cavalgar desalmadas ondas sob um céu senil De onde a lua nova virou a cara ao pranto Ao casino lodoso onde puxaste o gatilho, Atirei cartas ao ar, joguei-me de joelhos ao chão si il y a . Plantei rosas brancas no esquife calcário Nas negras dunas, lunetas para o teu desespero Duro deserto do desvelar do esconderijo. Descem pela cidade, pelos esgotos de tempero Monstros, vilões, ratos e tesões de mijo, si il y a . País de intempéries, ensinam os epitáfios a amar: Se a fieira oscila entre copas e ouros, Sentir não é mais que uma sujeição Ao vago e oco lamaçal do acaso singular. Estilhaços das ruínas de um sonho, o nosso ocaso si il y a .