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A mostrar mensagens de novembro, 2026

da tirania do belo

e ainda entro em cena com a cara de ontem, à luz do castiçal parece impecável... ninguém reparou que me estava grande. dizem: depõe a máscara, mas com mais luz do lado de cá e tapa essa mancha na bochecha, e não tragas o corpo inteiro, há sempre alguma parte que destoa. mas eu arrastava um jardim pelo corredor e as roseiras encalharam nas portas, deixando no verniz arranhões e um perfume a excesso pela casa. nisto, um anjo pede-me lume, já tem as asas amarelas de tabaco, e eu tive de dizer que não, já nos ardeu a sala uma vez. (e ainda há quem elogie a cor das paredes) queriam verdade? abri a camisa  e pediram-me que a fechasse: a cicatriz não fica bem na foto. coberta por uma jóia e umas pétalas, quem sabe? ó fantasmagoria da arte, faz-me um sonho bonito, que apodreça devagar sem perder o perfume. mas deixa os andaimes à vista, a seda rota e os pregos onde o brilho das flores  ganhou ferrugem, para que saibam onde pus as mãos, onde falhou a cola e quem ficou por baixo quando ...