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A mostrar mensagens de Agosto, 2014

bang your shit

o café sabe a água suja e o cigarro da mesma marca mete nojo. temos o entediante poder de transformar diamantes em carvão, de viver enterros para ter o resguardo do luto, a certeza dúbia de que o morto não pode voltar. e abrimos os olhos na vida para ver os nossos próprios zombies. quão português é isto? saudade é criar fantasmas, é transformar momentos em espectros que dão mais comichão que as memórias. será então vingativo da nossa parte querer bater-lhes com uma pá e tocar um réquiem?

quem são os que não vão mas têm de e porque é que as cartas têm de cair na horizontal em cima da mesa. rodar moedas em torno de situações favoráveis porque a sorte está lá sempre, mas nunca passa do estar. saber que não luto por incapacidade faz-me sentir tão covarde por dentro, e só espero, e só espero. dar um passo para fora de casa no primeiro dia do mundo? para quê quando podíamos sair num balão de ar quente e esperar que quando saltássemos - oh espera, mas já vamos a meio da queda. sempre. a meio…

Criogénese

no princípio era o gelo, e o gelo cobria tudo e o gelo era tudo.

ser a imagem e semelhança da decepção é repetir um pleonasmo,
o corpo deixa a luz passar e transparecer sem sentir o seu toque.
não há uma invisibilidade quando somos bolhas antropomorfas,
há um destaque para um ser-não-estar, uma inexistência da existência.

sou uma tempestade de inadequações, aleatoriedades e vergonhas,
uma rajada de mentiras que dão corpo a uma mísera forma.
não há perdão melhor que ver todas as veias serem azuis,
por um bocado não quero ter sido nada antes da criogénese.

suffice.

estes fotões podem ser remastigados pelas pálpebras,
cospem-se atómicas as imagens de medo momentâneo,
prova-se ao mundo uma perenidade e uma inexorabilidade.

senti ter deixado de saber sentir,
só preenchia os vácuos com celulóide.
para provar, provar o quê, a quem, e como?

não sei suficiar, desaprendi a existência,
sinto a alma lacerada...
estes fotões podem ainda ser remastigados.

é preciso virar copos para encontrar significados escondidos,
eu vou pegar e balouçar-me nas merdas que me fizeste sentir,
não vou olhar para baixo nem abrir os olhos.