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A mostrar mensagens de Dezembro, 2017

O fim do abismo

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Ficam para trás as ruínas, os espinhos das rosas que lhes tirámos. Ficam para trás os mortos e as memórias que lhes absorvemos. O que resta é o que lá está: as ruínas para que continuamos a olhar sem observar, os mortos que constantemente desrespeitamos pela nossa falta de vontade de viver.

O tempo e o espaço são medidas incompletas sem a emoção. E a emoção divide-se em conhecimento e vontade. Se a emoção desliza da sensação e é corrompida pela idealização, o conhecimento é esse generalizar. Olhar para o mundo pelo espectro das ideias é a constante dissatisfação de ter o que não temos, por não corresponder ao nosso conhecimento das coisas. O conhecimento, a inteligência, é o que nos ancora ao fundo do abismo e não nos deixa escalar em direcção à luz que víamos antes de cair.

Por outro lado, a vontade é o que nos dá permissão. É a emoção que nos faz mover em vez de nos calcar ao conhecido. Que desloca dos padrões desrespeitados pelo confronto directo com a vida. Se continuamos a viver …

A sagrada distância

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Eu sou o que resta.
Sou a distância da queda de um sonho.
Sou as peças espalhadas onde ficaram.

Não há antídoto para o veneno da saudade
O mesmo céu que para todos é igual,
O espelho que reflecte todas as ligações.

Superior a todas as coleiras e correntes
Ecrã pincelado que nos relembra
Tudo ocorre debaixo do mesmo lençol.

Não se aproveitem da maldição da recordação
Dos constantes rituais pela ressurreição
Que fascinam com a separação sem reparação.

Numa bolha, num reino bem longe, muito longe
Ficou um principe ou um feiticeiro (confunde-se),
Flutua, distante, na inamovível pen-drive da felicidade.

Entes queridos,
Ou sou o que falta,
Ou tudo o que foi.