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A mostrar mensagens de Janeiro, 2012

Construir a Demolição.

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Despacha-te, quero sonhar. Sem história. Nem mundo. Só os pés. E tornei-me história, lenda até. O lugar. A luz. O deserto. E o universo. Sou os outros antes de existirem. Fé e egoísmo.

Funcionamos de uma forma pouco sofisticada. Quando encontramos beleza em algo escurecê-mo-la até que o brilho evapore... é como um CD de memórias repassadas, como se lá metêssemos o dedo e esfregássemos. Escasso.


Sangue.

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Oh não, a sanidade verte como um tampão.

Não posso dançar enquanto os ventos não são semeados,
Seguro o peso do meu mundo para o proteger do esquecimento,
E o ridículo tem sido a resposta mais recente.

Não houve mentalidade inovadora que me regasse;
A cultura pop é um tabu deixa raízes nas cicatrizes.
Não cresci para a perspicácia, fui eu que me plantei.

Oh, Freiheit, Liebe und Kunst.


Urbe.

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Uma prostituta fuma à esquina de um cogumelo, enche-me a cabeça de ideias perversas e abomináveis - eu tinha da possuir. Havia também um redondo gato amarelo que me contava histórias de verdade e consequência; que me repreendia pela cultura incompleta e obtusa... e disse-me que jamais os meus sonhos roçariam as fronteiras da grandiosidade. Sinto-me despido de peso e o meu futuro não tem fé.

Acordei à espera no carro, com a boca seca para -. A minha última reminiscência é de me ter engasgado com um comprimido azul e branco e depois vomitei até à inconsciência... e aqui estou, com os pés ainda molhados de vomitado. E jurei para nunca mais beber... e nunca mais bebi... mas lixei-me.

Os taxistas parecem gangsters e as velhas estão-se a cagar. Satisfeito com mentiras? Entro pela saída e suicídio: o problema é meu se sinto a necessidade de beber e fumar e dançar, o problema é meu se sinto a necessidade de me esconder; e o problema é meu se não tenho amigos e sinto que quero morrer. Eu não e…

Arquétipos da Ligação.

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Espelho meu, espelho meu: há alguém mais plástico do que eu?
De grandes sonhos sobram falsas crostas e sangue derramado em lençóis
Duma terceira vez se vira o colchão... ups, como se fosse possível.
Cada pistola traz consigo uma garrafa de lixívia,
Encobrem-se crimes espalhando-a no corpo do óbito.
É o papel principal. E é a tragédia. E é a miséria.
São as estruturas de uma memória espalhada.



Reconnect. | Rei de Diamantes. | Dolce Rabbia. | Desconexão. 
Uma heteropsicografia auto-biográfica. Majestade da falta de identidade. Advento da desilusão crucificada. Pretérito da morte ao amor. Anos perdidos por um elo roto.  A minha mentalidade é de medo e nojo.  Um livro sem páginas aberto na capa.

Treze.

Corto o ambiente com um sorriso e a virtude de um dia feliz. Desafiar a sorte é não haver rigor nos passos a dar. A cada beijo uma nova faca, e a cada facada, beleza derramada. Eu tenho um fetiche com a sorte, admito que tenho. Teias de infortunios e nada me corre mal se assim o pretendi; É de uma falta de religião não acreditar nesta força maior. Dados e cartas lançadas sobre a relva e dois seis e quatro ases. Hoje faço um hino ao azar e ao horror que é não ter certezas: A maior felicidade e a mais facilidade do mundo - A Sorte.
Treze voltas num caixão de vidro e abrem-se as portas para Treze putas e uma Rainha de Copas que as decapite, Treze mártires que lamentem cruzes até à morte. XIII.

Hinos Sem Fé.

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Grandes sonhos de cabedal mas a dureza de um diamante é fácil de contradizer.
As cabeças erguidas também sofrem com a antecipação, também descaem as suas vezes.
Pés convictos também perdem as suas certezas e a perdição é incrementada.

Nada dura, na vida perdemos o nosso tempo a construir aperfeiçoamentos e evasões-falsas ao pecado.

Ordem: Se queres tudo, vais acabar sem nada.
Mas eu quero tudo.
Ordem: És infantil. 

Foi Quase Fácil.

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A vergonha são placebos para os dias a encher copos de lágrimas, suor e sangue.
Como é possível?!

O fim é sempre posto em consideração para mártires de atenção como eu.


Repetir.

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Tiro os pés da água para heras de fotos e esculturas de voodoo. Uma competição circular do que me ocupa a preocupação ao longo dos passos - e repetem-se. Correr não me livra deste cheiro; fumar não ocupa o vazio. Ficar é manter o mundo a girar, numa obsessão de ícones repetidos, indulgência e irrealidade.

Alguma vez confundiste o sonho com a realidade?
A mentira é a única certeza.


Teus Infortunios.

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Ele via o amor como uma hipótese a retomar,
Ela via-o como adquirido e uma felicidade sem-fim.

Depois chorei junto a meretrizes e cabrões
Por prazeres efémeros e imitações da realidade que não tenho.
Enquanto para ela a realidade era suficiente
E abominava os meus actos de evasão, desejava boa sorte.

Meio copo de absinto chegou para vomitar a alma
E ajudou-me vezes sem conta, preterindo-me à mesma.
Meio copo de absinto é uma oferenda para um novo deus,
Uma nova religião à qual sou herege e não quero rezar...
Mas também não vou crucificar.

É filosófico e até por vezes alquímico,
Um fenómeno desta vez não físico e saudoso.
É o meu hino nacional e não um narcótico vício,
As minhas decisões são rápidas e impensadas,
Se alguma coisa, eu também nasci para morrer.

A esperança é reconfortante,
Faz-me aceitar o destino...
seja ele qual for.

Não se pode reescrever o ápice desta fúria ordenada.



Espiral.

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Deixar a cama pode matar-me, eu não quero voltar a deitar-me.
Esta almofada, tal a guilhotina, não deixa sentir o pescoço.
É como se me espezinha-se um cavalo enquanto durmo,
E a respiração é mais uma onda para afogar um pulmão.
Só quero é absinto até deixar de sentir...
Não quero fechar os olhos por mim.
É isso... mais algumas ampulhetas e lavo a noite com outros fumos.


thirteen dew drops.

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were my cigars black and they would be zebras
playing for a poker hand all night, I want is a full house of leather
if we can't be lovers and now we can't be friends,
at least let me end this reign of physical desire.
fascination through mirrors ends tardy but never late enough
I want to go walk around the river and fuck you under the rain
I love you with every milliliter of this heroine heart,
and I still know every centimeter of your tarry soul,
never told me what it was that made you strong or weak
this is the reason why I walk and talk like a religion fanatic
you're the holy grail of all this senseless madness,
close this disconnection and heal this alternative to bleed.

with my best regards from hell. wish you were here.


Não Há.

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Uma lua pálida e três tristes tigres de fumo
Razão da minha vida, companhia da solidão
Ilude-me o presente, conta-me outra história de rir.

O teu corpo é um talvez e nunca um para sempre
A tua boca divide-se como o dinheiro do mundo
É tão prestável quanto necessária...

És só mais uma verdade para ser omitida,
Mais uma mentira sem significado.
Só mais dois feitos para o mundo.


Recriação.

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O tempo asfixiou-me numa ampulheta prateada. Em direcção a um oásis, perdi-me nos círculos e inconstâncias da memória - não sei se o que faço é por necessidade ou engano; não sei se já vivi ou se sonhei que vivi; mas sei que a partir daqui nada pode melhorar. É mais uma pedra no bolso e menos uma pirâmide no Egipto. Quando achei a água afoguei-me, o onde eu queria estar, não existe.

Os vícios construíram os meus jardins suspensos: sobre fumo e absinto. Os medos tornaram feios os falsos deuses que me vi a combater com espadas de madeira, neblinas a que apontava jactos de água. Se aqui cuspo toda a minha metáfora, colo-a com cuspo e purpurina - aqui os filmes parecem mais bonitos ainda que mais sádicos. A beleza é uma mentira, tudo é feio até que se entranha.

Caminho junto a um precipício que dá para o mar. Sempre com um pé atrás, com medo de me pontapear na cara e cair no suicídio involuntário. Caísse eu para um mar sem margens e viveria a felicidade líquida - mais marés para um coraçã…