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A mostrar mensagens de Novembro, 2011

Cerimoniais.

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Eu sonhei com a morte, acordei com o calor das lágrimas. Sou um lobo em busca de sangue, mordo corações para manter as dentadas e cuspo-os por não gostar. Sinto-me a merda de um monstro, quero desprover-me de sentimentos e arranhar tudo o que tenho à volta. Se ao menos pudesses ver a besta que fizeste de mim...

Morri numa fortaleza de gelo. O meu corpo nu rebolava e queimava-se no chão enquanto a mão sangrenta me apontava. O trono de diamantes não se mexeu enquanto o sangue das paredes descongelou e o oceano vermelho me engoliu. A luz fracturava-se mas o brilho da coroa mantinha-se imortal.

Acordei amarrado a uma parede roxa trabalhada a ouro. E as vozes de compaixão chicoteavam-me e chacoteavam. Quando me soltaram o desejo era roer cada milímetro dos seus corpos - por outro lado, dei cambalhotas e cantei-lhes serenatas glorificantes. É esta minha natureza de me menosprezar quando já me sinto um tapete.

Colecciono contrições e nunca rezo para que me exorcizem os demónios e os espectro…

Celesta.

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A tua mente é uma seringa no meu corpo
Os teus lábios percorrem-me a cara
E voltei a acreditar em guerras santas
Porque este amor é uma cruz

Excitação e um silêncio gelado
Amor-ódio, amo-te, ignora-me
Não quero mais jogar contigo
O teu papel é feito de pedra.

O corpo é frio, o gelo não quebra,
Já só nos conhecemos quando estamos nus.


Espelho Partido.

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Aqui têm a fase da aceitação: a realidade é um nojo.

Quando olho à minha volta, não é que queira meter um pouco de mim em tudo o que vejo - é só que a realidade parece-me tão mais interessante vista pelo caleidoscópio do cérebro. E chego a ter medo da forma como vejo o mundo... por vezes é tão reluzente e outras vezes é tão sombria... não é que seja um gaiato parvo que ainda vive no seu mundo de faz de conta, é só que esse mundo de faz de conta é bem mais interessante que as coisas sérias. Eu gosto de me rir, nem que seja de mim, nem que seja do que penso... nem que passe por louco, eu gosto de rir.

E por vezes penso em quando tinha uns doze anos... lembro-me de estar sozinho na sala a falar para mim mesmo sobre coisas de que me não orgulhava. Nunca quis evidenciar as minhas paixonetas primárias e enquanto falava para mim, o pensamento absorveu-me de tal modo que quando abri os olhos a minha mãe estava a gozar com o que tinha acabado de dizer. Não foi a única vez em que não sabia se e…

Entes Queridos.

Por vezes ignoro-te para me manter no controlo.

O que é que pretendes, Tiago? Sempre à deriva numa fantasia de superioridade, projectas sobre ti mesmo um foco inexistente. Eu existo para não sentires que existes. Eu existo porque abominas o teu mundo e tens medo de dar um desgosto a quem te rodeia... desgosto... nem és assim tão importante, acredita. O meu nome é Caos porque "só fiz merda na vida," contudo, vives loucamente apaixonado por alguém a quem apelidas de "Desordem," que por sua vez também só te magoou. És sempre mais, sempre mais, nunca podes repetir nem dar um sinónimo de um adjectivo que te descreva.

A minha vida é um paradoxo que rasga as fronteiras entre a realidade e a fantasia.

Despes-te de todas as desculpas, para tudo e todos. Não tens um rastilho de honestidade. És um mentiroso. És um mentiroso. És um mentiroso. A tua vida prejudica-te mais do que sentires-te influenciado pelos outros. Finges ser alguém para descobrirem os podres desse alguém e no…

Dias de Maçã.

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Se eles me encontrarem,
não deixes que me levem.
Deixa os ovos comigo,
leva os talheres e o sexualismo.
Não permitas a merda,
mas autoriza que seja bendita.
Fortalezas de vidro, espelhos tingidos,
e luzes mortas pela noite.
Astrologia e sadomasoquismo,
não vomites fora da sanita.
Não tenho água, só estilhaços no chão
e anseio pelo cheiro a carne e suor.
Se eles me levarem,
não deixes que te encontrem.

Sinos de um trenó e renas,
grandes guerras e melhores amigos,
casais de cowboys e robôes,
"eu só te queria amar,
só não te queria matar."

Ridículo Eu.

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Isto é a manifestação de toda a minha cobardia. Abaixo sete marés de mercúrio e água, eu rezo por uma última força que me restitua a respiração... ou não. Um suicídio de proporções mágicas e mitológicas, superiores à capacidade prolífera das lágrimas de Werther. Aqui eu espero, sentado, o fim de toda a valentia que o nome não me valeu. Aqui eu espero pela última bolha de ar que cuspa dos meus pulmões.

Mas este suicídio não trouxe um fim - mas sim um começo. Tanta vida quanta morte, aqui começou e acabou. Só quando nos vemos próximos de um fim encontramos alternativas. Só quando aceitei que ia desaparecer descobri de novo as maravilhas da água que me escorre pelo corpo nu enquanto escrevo. A morte não é eterna se pensarmos na vida como todo o tempo que conhecemos.

E aqui eu fico, sossegado enquanto me divirto sozinho com as magnificências da mente sob estupefacientes. Assim acabaria o fim de uma ligação egoísta, entre mim e o meu corpo. Entre o meu interior com este exterior que aqui v…

Petróleo.

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Nunca quis mentir para este espelho...
mas o mundo é um reflexo de todos os meus nojos.
Para viver o tédio, vivi dentro de mim,
Onde sou os meus próprios tijolos da Lego,
Onde posso ser o rei de todo o nada.

Não há realidade espessa o suficiente que filtre estas ideias.

E mesmo que esse petróleo exista,
Vou ser sempre mais infantil em horizontes oníricos,
Estar sempre no nível certo e fingir sorrisos... para sorrir.

Quando as palavras não devem escapar e não sei se falo ou se penso,
Quando tenho os pés num chão de todas as cores,
Quando a queda para a cama já é, em si, um sono profundo.
Aí, sou livre.

As Hostes da Noite.

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Eu vou caçar a mentira para o meu jantar,
Eu vou arruinar este reino e sobre a sua sepultura fritar.
Eu sou a face da Lua, as tuas lágrimas sujam a noite.

Vou adormecer o mundo no escuro,
Puxar o lustro ao cosmos, cada sonho acordar um pesadelo.
Eu sou um batalhão de demónios, toda a atrocidade.

Não resistem diamantes.

Este é o teu baptismo e não te vamos perdoar,
Uma nova confissão de cada negação ao cérebro,
Um funeral para qualquer santidade que tenhas.

Destes sinos não renasces, a capela vai ser submersa,
Todas as achas serão lavadas pelas ondas dos chuviscos,
E vejo-te romper e explodir, com medo da indiferença.

O meu espelho está partido.
Não quero viver de medo e nojo,
Só quero sentir como se flutuasse
Em vez de constantemente explodir,
De medo e nojo.

Matagal.

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Não quero mais eus,
a minha multiplicidade já me corrói.
Odeio semelhanças, não há ninguém
tão diferente de mim como eu mesmo.
Eu amo o meu Caos.

Pai, onde está a minha pistola?
Agora que a guerra vai começar.
A culpa é minha, vou desatar.
Alimentem os diamantes dos mares,
quando eu tiver partido na morte.

~ORDEM:
Desafio-te! Usa essa pistola para teu benefício.

Não existe proveito num coração de defeito.
E se todo o meu mundo tiver sido uma mentira?
Se me matar, vocês morrem todos,
Eu não temo ser esquecido,
Eu sou o esquecimento.

Mais uma ligação caída no oblívio.


Desordem.

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Eu vi-te na lama quando todos me prendiam... e tentavas mexer-te mas a lama sugava-te e nunca voltaste a ver luz. Lá no fundo era vergonhoso, ver que eras importante, pensar que valia a pena estender-te a mão e puxar-te de volta a mim - saber que ainda, ainda, ainda te tinha em tanta consideração. E o sentimento não passa, as mãos não abrem e não quero largar o teu pulso enquanto me rasgas os braços para que te largue.

É como se me afogasse e ninguém me ouvisse - mas eu vivo esse desejo. Os braços do oceano são o meu fascínio por quem perdi e nunca cheguei a recuperar. Como se a água expurgasse e me transportasse para um sítio onde ainda teríamos as mãos dadas enquanto nos beijávamos à chuva. Deixar esta vida a que apelido de maldição - viver como vivo: ser sem nunca poder, tocar sem nunca sentir - e passar a ver-me como os outros vêm, um sortudo que é facilmente privado daquilo que o coração quer, viver uma bênção.

Todo este dinheiro, o valor dos diamantes a que chamo paz, amor, soli…

A Máquina.

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- A Máquina inicia o processo quando carregar no botão.
- Ela imprimirá um sonho e mostrará como nunca o irá alcançar.
- De seguida, ela manifesta um erro e começa a cuspir tinta que lhe entrará para os olhos.
- O processo deve ser repetido sempre que sacudir as lágrimas e limpar a maioria das manchas. Eu sinto-me um bocado, um bocado fechado,
Quando reconheço talentos a que não alcanço.
Renuncio leis a vocábulos tão simplórios,
Prefiro ficar-me pela venda do meu coração-pop.

Eu vejo quando não vejo que vejo,
Pessoalmente cair de cara ao chão e furar dinheiro,
Prostituir esta miserabilidade temática e desconexa,
E andar na boca de todos esses apedrejadores.

Sempre quis ser um herege ecléctico, o desejo é morrer afogado,
E a vida deve ser vivida em constante fornicação-masturbação.
É um nojo e um desgosto e um calabouço pensar que saí assim,
Divindade caída aos pés de absintos, um caleidoscópio focado.

Tão simples, tão ineficaz, pobre e vulnerável.
Habilidades para quê se não há vocaç…

Inundar.

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Não há relação que não se esqueça,
Cada fogo rapidamente evapora na água.
Os teus saltos espetados no meu coração...
O fumo que cospes, minha besta...
Foram todos prazeres desnecessários.

Abraço-me ao oceano,
Onde os meus fluídos são mercúrio e lítio.
Aqui me afogo, gozo e sufoco.
Não me largues, meu amor.

O reflexo do sol no lençol de água, ugh.
Quero sentir a última respiração fugir-me da boca,
Deito-me à água, deixem que os átomos me comam.
Os factos só têm uma porta e é este precipício,
Onde os esqueletos são podres e o meu corpo é púrpura,
Acabo com a pressão. Nado para a pressão.
É só isto que a água tem para me dar. Uma desilusão.


Monarquia Americana.

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"Uma jornada selvagem ao coração" e às mentiras "do sonho americano."
 ~Hunter S. Thompson

A loira que tem a vida feita reina sobre um trono de arranha-céus e Monroes,
Supõe de dores, ardores e cotoveladas na parede enquanto a coroa lhe cai, embriagada.
Cospe dólares e assoa-se a lenços de petróleo que queima em tochas "livres".
Eu conheci uma rapariga em East L. A., e pela imigração não posso casar por lei,
Vivo obcecado com os nojos da América, vomito prostituições como que legislações.

O sonho dela é destroçar um lar, ela é a cabra em que te queres enfiar.
Este enredo é o porquê da tragédia, são as lágrimas compradas mais sentidas.
A minha última prece é que morra para eternalizar medos e nojos americanos.
Somos sodomizados pela máquina e prestamos contas ao governo, por mais.
Como última acção quero pagar o pedaço de plutónio que me ocupa o coração.

Desde criança vivo o mito de Nova Iorque, para as mentiras me desiludirem.
Fui iniciado na explosão e…