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A mostrar mensagens de Março, 2015
e se um dia o virtual desabar sobre nós?

Lilith.

o céu é lilás, não há melhor altura para dormir.

uma pistola atira-se a si mesma e é homicidio.
o coração é um gatilho que espera outro para pulsar,
línguas dançam num combate em solo abandonado,
podem ser floretes que degolam pescoços,
e as mãos resultam mar vermelho.

o mal olha-nos nos olhos, sem silhueta nem horizonte,
éramos um corpo, acendemos os nossos cigarros,
acendemos fogos nas nossas mentes.

repito para mim mesmo que tenho a mente feita,
mesmo que tenha a ideia-tu por disparar corpo-fora,
o coração é território de tatuagens cicatrizadas a cuspo e heroína.
as linhas brancas na cozinha não fizeram bolos,
agora a alma de cocaína é a de um só.
a mescalina faz as coisas grandes e pequenas como o coração a bater.

alado, o coração não voa em céu nenhum.

rant #givethemdarkness

meus queridos, nós já não precisamos de arrependimento. só de pisar o chão e olhá-lo de cima, nos resquícios da dignidade. ter um final feliz é a grande mitificação. não há karma nem cruzamentos que separem os vários tons da moral. não há amparo para os amaldiçoados, o jogo está viciado. o tabuleiro é o maior toxicodependente de todos, nas suas escolhas ao deus dará. de pequenos contam-nos as historiazinhas que moldam o fora por dentro, reprovas, aprovas, chega o sentido moral, e não será esse o grande anormal? todas as histórias definham na mazela da mentira, construções, metáforas e alegorias. sem efeito. sem efeito. sem efeito. riscam-se as respostas, procuram-se novas perguntas, ultrapassam-se os suspiros incrédulos. esse deus, que deus?, diz que diz?, faz não-faz? há demasiado que oiço recorrer outro mito de condescendência moral: se deus existir, não permite, e recorre há demasiado tempo, há burros velhos demais para aprender línguas. e se as prendêssemos umas às outras, seria a…

abraça(-)o mal

sentimos leves feridas do vento quando não sorrimos de lado, que podem ser tão temíveis quanto amáveis. podem ser amigáveis e mesmo selvagens. criticamos, não praticamos o mal, apontamos, destrinçamos e desvelamos apocalipses. descobrimos encobertos. criticamos sem o saber, não somos nós a processar de A a B, mas o B a reverter A, qual alpha original para um beta ulterior. o amor é uma luta tão fácil, mas a guerra fria que o envolve é tão mais cativante. devém o jogador jogo, transforma-se a coisa amada no amador. não é ruína que arruína, mas rui por si só. é desmontada pelo imberbe que chuta pedras ao horizonte, desfazendo-se a si enquanto horizonte. nunca somos jovens o suficiente, nem é a idade que nos diz que não nos devemos apaixonar de baixo para cima. não é justo, não é certo, gasta as caras, deixa os livros desequilibrar-se, os pratos caem ao chão e a literatura é de todos. eu cá, gosto da charada da esfinge, danço por entre espelhismos, adoro como o diabo se reporta a mim com…