abraça(-)o mal

sentimos leves feridas do vento quando não sorrimos de lado, que podem ser tão temíveis quanto amáveis. podem ser amigáveis e mesmo selvagens. criticamos, não praticamos o mal, apontamos, destrinçamos e desvelamos apocalipses. descobrimos encobertos. criticamos sem o saber, não somos nós a processar de A a B, mas o B a reverter A, qual alpha original para um beta ulterior. o amor é uma luta tão fácil, mas a guerra fria que o envolve é tão mais cativante. devém o jogador jogo, transforma-se a coisa amada no amador. não é ruína que arruína, mas rui por si só. é desmontada pelo imberbe que chuta pedras ao horizonte, desfazendo-se a si enquanto horizonte. nunca somos jovens o suficiente, nem é a idade que nos diz que não nos devemos apaixonar de baixo para cima. não é justo, não é certo, gasta as caras, deixa os livros desequilibrar-se, os pratos caem ao chão e a literatura é de todos. eu cá, gosto da charada da esfinge, danço por entre espelhismos, adoro como o diabo se reporta a mim como cajado e se finge importar. eu chego ao céu se pagar e ele não precisa de se incomodar. perdemos tanto tempo a seguir coelhos brancos, buraco abaixo, que esquecemos ter nascido para ser as ilhas de arquipélago nenhum.

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