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A mostrar mensagens de Dezembro, 2012

Quebrar [Redux]

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Como se realinham as peças dos ténues passos que caminhámos?
O que é que falhou na montanha-russa mais sóbria por que gritei?
A santidade desvaneceu quando gritámos a privacidade em público.

O estômago foi atropelado e o coração alberga sentimentos-zombies,
Não há mentalidade-cocaína, nem vivo numa alma-heroína:
Os meus sonhos, enrolei-os e queimei-os com as minhas pretensões e crenças.

Perdi-me pelo papel, pela facilidade e nunca soube o que era correcção.
Paixão são letras que não sei soletrar, doenças que só penso em curar,
Cruzes para assobios e perdas de sanidade que engoli como solução fácil.

Sou a minha própria desilusão, a menos sincera das comoções,
Vomito icebergs na covardia da minha incapacidade em lidar...
Oxalá simplesmente tomasse comprimidos e deixasse uma nota...
"Acho que devia saber como fazer amor com algo inocente
Sem lá deixar as minhas impressões digitais, e agora
A-M-O-R é só uma palavra que nunca aprendi a dizer
Como é que posso pedir desculpa se as palavras …

A Decadência da Lírica

Andy Warhol disse-nos, e registou na história, que no seu futuro (talvez o nosso presente, quem sabe), toda a gente teria os seus quinze minutos de fama mundiais (1968). E foi com ele que nasceu a ideia de uma cultura pop, uma plasticidade e descartabilidade constante, uma proliferação de imagens e sons tão necessários quão desnecessários, ignoráveis por nada trazerem de novo, sendo, contudo, inovadores.

Mas a ideia de uma cultura rápida de Warhol já tinha sido postulada por Walter Benjamin quando, no seu "The Work of Art in the Mechanical Age of Reproduction" compara a obra de arte que absorve o homem que se concentra perante ela à obra de arte que é absorvida e ignorada pelo observador (1936). Outro elemento fundamental das filosofias de Walter Benjamin é a ideia de uma aura que é emanada de uma obra de arte, e vai ser ela que, tendo em conta a comparação anterior, absorve ou é absorvida pelo espectador da obra.

Pierre Bourdieu, sociólogo do século XX mostra-nos que a cult…

Insónia no País das Maravilhas

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Atirámos a rainha para o outro lado do espelho
E o que lá encontrou, Alice, foi igual mas tudo das avessas.
Que esperavas, nessa mente quebrada, pelo que te contam?
Sangrámos sobre a nossa educação, nunca lemos, sempre cremos!
Aceitar e deixar ficar, e aceitámos e ficámos como nos deixámos
No fundo do funil do tempo, onde já ninguém cabe,
O que passou era uma vez, foi apenas uma vez
Mas ficámos nesta vez, para o nosso sempre
Enquanto o teu era uma vez... por mim será eterno.
Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete:
O xadrez dança, fama, lícor, amor onde te encontrei.
Sentir a vivacidade uma primeira vez
É espernear na relva a inocência da infância desvanecida;
Não dependemos do nós decadente para criar sanidade,
Os sítios mais condenados podem tornar-se países das maravilhas.
Compramos as estrelas do céu para só ter e sermos o que temos,
Quando nos bastamos a nós e aos nossos: somos hólons da felicidade.
O outro lado do espelho, Alice - está atrás de nós.


Refrão Sem-Palavras

Injecções de águas infectadas,
Camuflando as centelhas do coração
Se é a inocência que nos separa,
O que é uma utopia de heróis-monstros?

Constantemente:
Afiar garras, formatar dentes,
Omitir espinhos às rosas,
Rebentar cada sonho-bolha,
Expirar fogos-frios do desejo...

Mas não há classe nesse nojo,
Que se escapa à compreensão.

so try and love me while you can and take the time to understand  as long as I can touch your face you know I'll never leave this place if only in my mind.