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A mostrar mensagens de Março, 2016

O Nosso Ocaso

Eu desisti antes de nascer.
- Samuel Beckett

O amo não dizia nada e Jacques dizia que o seu capitão dizia que tudo o que nos acontece de bem e de mal cá em baixo está escrito lá em cima. 
- Denis Diderot Para desenlear certos nós da mente, vamos simplificar até ao ponto mais simples: estamos a dançar, fantasiamos pares de cornos, metemo-los sobre nossas cabeças. E dançamos até os olhos ficarem negros. Diamantes de Sangue, para que fiques a saber, na pista de dança. Definir não é fechar (de-finir: dar fim), mas abrir: o knock knock do baixo que vibra nestas paredes.

Poético é o conceito que precisamos de enclausurar. Vamos pela comunicação: se o silêncio corresponde perfeitamente à vagueza das almas, se a forma corresponde ao conteúdo, a mensagem passa clara, desterrada de entropia. As luzes rolam e as plantas dos nossos pés estão em perfeita osmose com o sabor das ondas de som.

Se não há regras para a vida, há que conhecer os seus potenciais e limitações. Daqui um autor pode fazer o q…

Valdrada

Inadvertidamente terá Ítalo Calvino visitado o submundo sem disso se aperceber, quando n'As Cidades Invisíveis descreve Valdrada. Física e mecanicamente, Valdrada coage com os valores e as decisões tomadas para com as almas que ficam cá, presas ao mundano, com afazeres inacabados:
Às vezes o espelho aumenta o valor das coisas, às vezes anula. Nem tudo o que parece valer acima do espelho resiste a si próprio reflectido no espelho. As duas cidades gémeas não são iguais, porque nada do que acontece em Valdrada é simétrico: para cada face ou gesto, há uma face ou gesto correspondente invertido ponto por ponto no espelho. As duas Valdradas vivem uma para a outra, olhando-se nos olhos continuamente, mas sem se amar. Se já só o facto da ida nos retém trémulos para duvidar da própria essência e moral da vida... que seria se as cidades da morte se amassem? E note-se o puxão para a cultura viking com o prefixo Val- semblante do seu espécimen de pós-vida, Valhalla. Os credos passaram o tempo …

Uma e Três Cadeiras

onde os dejá vus se bifurcam
em possível e plausível
ou trifurcam na guilhotina
do impossível

nada do que parece estável
está em permutação
o x é o caminho para o y
ou para o sol e a lua

trocar os binómios por monómios
na equação de coordenadas
geográficas para outros mundos
onde estamos face ao centro último?
tive uma ideia
há já uns tempos
bons tempos...

diamantes

eles brilham como as estrelas
à luz da metanfetamina
eles partilham as coroas
dispersos pela Via Láctea
eles seduzem os castigos no Hades
tornam La Vie en Florida
eles brilham sempre polidos
e dissipam os vapores
da perspectiva da vertigem
eles partilham contigo
toda a sua fortuna
eles são nuvens tristes
de janela aberta

eles curam os demónios
que vingam na solidão
eles degolam os gigantes
que se erguem do abismo

constelações europeias
que te levaram um pulmão