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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2013

Anatomia do Desastre [Jerusalém]

Apesar dos esforços d'A Máquina para nos "humanizar", o animal interior nunca se perdeu. E agora A Máquina cospe-nos na testa por nos mantermos iguais. O esforço d'A Máquina estatizou, ou seja, parou quando nos fartámos dela, como antes nos fartámos de tanta outra coisa que nos seria imprescindível enquanto animais.

A nossa tão bem resguardada cultura, naquele pedestal de diamantes forjados pelo nosso egoísmo, resulta do cansaço de evoluir, da frustração que era termos de ser nós a mudar para interiorizar e sobreviver ao exterior: a cultura é o oposto, o nosso esforço em moldar o exterior à orografia do nosso corpo-humano. Somos tão animais.

Neste terceiro passo (1. evoluir, 2. cultivar, 3. aguentar), entrámos em fadiga por depreender que o mundo não é perfeito, mesmo depois de tanta mudança. Mas sê-lo-á para algum animal desses que nunca o tentou mudar? O nosso canto estaria-nos assegurado se a sobrevivência se tivesse mantido a nossa única frente de guerra face ao …

O Ponto

Só quero deixar a tinta escorrer-me dos olhos.
Odeio o falhanço e sacrifico-me por ele.
Quando és não és e quando preciso já não estás.
Eu nunca devia ter caído na esparrela.
O mundo não melhora, apenas as imagens e essas são miragens.
O destino não existe porque o mundo não é perfeito
Se eu tivesse virado antes...
O dispositivo que não me aceitou...
Tudo nos vai sempre desapontar.
Quão mais fortes palavras chorar melhor.
Parece que estás demasiado perto para amar,
Que não há nada que possa dizer,
Só não quero mentir, basta respirar para pecar.

Tentativa número x+y

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Fascina-me a capacidade complexificante do Homem. A necessidade brutal e animalesca de requerer uma presença do invisível no visível, do ausente no presente, uma determinada angústia pela morte e a portuguesa saudade agarraram-se aos nossos mais íntimos arquétipos existenciais, a nossa psíque já não funciona - talvez por também ser uma materialização do desconhecido - sem este nosso poder simbólico.

Desde os primórdios da comunicação fazemos alusões em diferido ao terceiro, gerando-se assim distorções espacio-temporais semânticas. É mesmo ancestral esta técnica rupestre de representar na perfeição a nossa caça essencial ou teórica - o mundo passou para dentro de nós através da semiose, o poder de dar um nome é o poder de apreender algo dentro de nós. Aqui, entram em conflito os tão simples conceitos de interior e exterior.

Numa acepção lata podemos afirmar que não existem limites para a representação: o invisível perde o misticismo quando ouvimos falar de partículas de oxigénio e hidr…

Love is evoL

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O amor ensinou-me a não me dissipar nos outros,
As músicas ecoam e agarram-se às minhas costas.
Aposto os meus cigarros, malabarismos de fumos
Num aquário indecente, fujo à luz do meu farol.
Visibilidade na invisibilidade, distinguir o irresoluto
Trabalhar nas pirâmides, dissecar os mais que secos,
Por réstias de vida invividas. Mas o amor é fodido.
Só duas pessoas se podem juntar e tornar o amor tão sádico.
Demasiados interiores requerem cristalização exterior,
Vazio num aterro de 'Mona Lisa's escritas e rescritas:
O amor é o reflexo simétrico do mal.

Silêncio Ilegível

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Regressei ao meu próprio Glacial Lacrimal, o santuário de tristezas e desabafos na temperatura certa. Onde os medos e as mentiras são simples e limpos como me costumava sentir dantes, numa certa inocência. Mas hoje não.

Hoje não.

Hoje temo os meus sentidos. Sinto o frio derreter-me a pouca-alma que desaba lentamente. Nos espelhismos do gelo vejo-me congelado por um olhar, petrificado por um silêncio. Não me perdoes, nunca. Lembro-me da minha própria tristeza de existir sem propósito anteriormente, numa única frase "gelam-me as veias pelos defuntos" era uma intelectualização dum sentimento para perder a sua faceta sentida.

A arte não magoa, nunca.

Em tempos, senti-me seguro a nadar guiado por uma luz, os mais ínfimos movimentos da água em torno do meu corpo pareciam saudáveis. Ao menos, o mundo mantinha a vida com que me fascinou. Mas agora, parece que o sol se pôs nos meus olhos... o escuro quente e fluxo em que vivia perdido congelou neste calor assombroso que me destrói. O…

Respirar é Irrelevante

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A minha acepção do mundo é platónica; gosto de pensar que estou sempre errado, vivi a vida para o descobrir. O antigo é mentira, e a verdade está para lá, inalcançável.

Sou ideais. Sempre me guiei por padrões que não eram mas podiam... a realidade é uma mentira e não existe nada sem a sua essência inteligível.

Pelo meio de tantas linhas de luz e sombra cruzadas, constantemente tropeçamos nos modos fáceis e covardes de ver o mundo. Nada é. Nada interessa.

Comentários idílicos de nós mesmos, paródias e mesmo pastiches, são os resultados a que fomos expostos, por sermos impossíveis, inapreendíveis. O nosso espelhismo é miragem.

Não me confunde o ver para não ver - ou o sentir para não sentir, - a vida está morta nos nossos sentidos, fluída no que não conhecemos.

Tenho pena dos loucos que se relegam para inutilidades e secunda ou terciarizações, que choram pela irrelevância de respirar. Que vivem no nojo de viver para sobreviver.

Guardei este segredo comigo, porque o outro já morreu. O mu…