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Nadar para Casa.

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A queda livre tem de ter um fim
a adrenalina no sangue não é nuclear o suficiente
para deslizar num abismo de algas.
A minha mente fria descongela
para o dilúvio dos meus olhos,
para as nuvens que cobrem a cara
que sempre reconheci minha.

Pareço agir de forma ridícula,
tremo e rio sobre chávenas de chá,
quando lá por dentro sou um mártir fingido,
desejoso por uma alma que se injecte
de todos os litros do coração de heroína;
ansioso por um coração que purifique
cada pedaço da alma alcatroada.

Sou um actor de comiseração
e arrependimento sobre profundezas escuras.
A areia afoga-me em correrias intemporais.
Quero amar-te mas não me podes dar o protagonismo
do teu coração se sou atómico em teu torno.
Nunca aceito o amor, sou sempre um perdedor,
rejeito sempre o pico do iceberg.

Estas últimas ondas colidem sobre o céu,
de um pecador flutuante como eu...
água tão fria, e contudo tão doce,
são os braços do oceano que me dão à luz.

Nunca Deixo o Passado para trás.

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És o reflexo que queria ver
do outro lado do espelho.
O nevoeiro que quero respirar
ao longo de cigarros em jejum.
És o vazio na minha cama,
e és a bala no meu coração.
O sangue de treze anjos,
as lágrimas de cristal
de sete demónios,
És o medo de adormecer à noite.
És a cruz que me assombra,
a religião do arrependimento
por não ter aproveitado.

Mártir da Fama.

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Isto não seriam nem prendas nem laços.
Por vezes acho que é tudo sobre mim.

~Ordem: 
Por uma vez, não faças tudo o que queres.

E seria assim que eu ia esquecer,
Só eu é que não tenho...
não.

Eu já não tenho medo de ser esquecido.


Sexy Ugly.

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simple physical creatures of the inner hells,
our tongues in constant contact,
fingers clutching to unknown breats
bodies dancing simulations of love
killing the beat, sexify it, off the walls,
sloth is for the daylight.
retrosexual monsters in a graveyard of lighters.

everybody wants to be like us,
live this filthy glamorous,
rock the night like us,
silly and gorgeous.

spin that shit, spin that dish,
this song is marvelous.
I don't care what you feel, sorry
you ugly, sexy ugly... bastard.


Caos Inferno.

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Don't want to live in fear and loathing, I want to feel like I am floating, instead of constantly exploding... in fear and loathing. I want to feel completely weightless, I want to touch the edge of greatness, don't want to feel completely faithless... completely faithless.

Sinto-me estranho. As memórias passam como comboios aos meus olhos. Pois eu vejo as reais e distingo-as das idealizações da sanidade... mas perdi o tempo, eu não sei de quando são. Umas tornam-me tão grande... e as outras fazem-me querer rastejar e nunca sei quando fazer o quê.

O teu coração é a excepção, não vai queimar nem implodir. Não te posso matar, nem com a mais dura e afiada das facas, o magnífico desse brilho... é uma memória, uma reminiscência e uma ligação infinita de remorsos e adulação.

Suplico-te pelo meu desespero, nestas noites de solidão e vazio, esta necessidade do meu santuário que tu não vais ceder. Por cartas não escritas e promessas de um céu só nosso e inseparável, todos os esforços n…

R∆.

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(a big thank you to Simon Curtis for twitting this! you're awesome!)

this is not the way
into my heart, into my head,
into my brain, into none of the above.
I want to slash your back while I take your mouth,
filthy drugs, living flesh and some empathy,
this will be the way
to conquer your animal, into your spiritual
and all you have will be unneeded,
only nudity and nothingness.
push up to your body, sink my teeth into your flesh,
I'll bite into you harder, clout your nails across my knees.
just don't be scared, I've done this before,
be my religion, only for a night, only for a life,
won't leave you weeping, will leave you screaming.

let this be my prayer, to make our sin happen,
and we'll never be pure robots again.


Alegria e Miséria (no Hospital).

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O corpo é um hospital de jogos neuróticos entre o conformismo e a inutilidade. Dentes de leão plantados em camas, como que imigrantes ilegais expostos uns aos outros, propicia ao contágio e ao nojo. Vísceras animalescas, uma ideia de pânico brinca com a inospitalidade deste local.

Cada batina neste armário é um pálido reflexo da minha cara envelhecida e cada saco de oxigénio causa-me um vício por realizar, olá, olá, lembras-te de mim, estávamos no mesmo quarto há uma semana e agora és um saco vazio. Eu sou uma doença, vivo para me propagar e fazer sentir mal.

E vejo lábios rugosos, cheios de feridas e prestes a morrerem sós e secos - dá-me mais pena ver a horribilidade física desta senhora padecer que ver meio mundo manter-se na alegria e ignorância. Isto é miséria, só eu sei o que é cheirar cinzas em busca de um último traço de nicotina.

Os gritos de dor da ala do fundo nunca são ouvidos, mas há sempre pombas acordadas em sobressalto com berros da madrugada. E as gargalhadas não são …

Pirefleus.

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As memórias não podem ser traduzidas.
A minha maioria são casos perdidos,
que nem seringas esvaziadas por adictos
eu cuspo estes fluídos prateados para a areia.
Mas nem mesmo com toda a concentração
eu não consigo perceber quem eu era e o que sou.
Eu não lembro, recordo ou assimilo,
o que causou todos estes pandemónios,
se a minha vida é o esvaziar de reminiscências,
uma inexistência etérea de tudo o que se provou.


the fame.

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Hi.
I only write for the fame,
I only live for pain,
Isn't it all a shame?

But I'm so hateful,
Mint cigars, filthy pouts and absinthe,
Jeans tighter than virgins in the 50s,
Chains in my pocket, fake raybans and crosses in my neck.
It's all so pity, everything so kinky,
The human body so simple, yet so mystified...

I can run the world, world, world
But never own the heart of a girl,
Only heads and minds, selfs and binds.

There's a little black spot on the sun today...
I'll always be king of pain,
k-k-k-king of pain.


Polpa Harmónica.

Amor puro é sexo bruto.

Eu sou a última marioneta da sombra.
Rápido, apaga o fogo às arcadas.
Os diamantes preenchem-me os olhos.
Pistolas e rosas por um futuro melhor.
A solteira de ferro já assassinou demasiada gente.
A rainha engoliu todas as damas da vida.
Desvanecem as sensações menos ópticas.
Castelos de cristal em areias de vidro.
A divisão alegre fixa-me a adição.
Vingado sete vezes, nunca fui justificado.
A tentação interior engole-me de dentro.
Os lobos alimentam-se nos meus ouvidos.
Máquina, acabas sempre por me absorver.

this machine.

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The Shadow of myself, just who am I
Le Rouge color of souls is unknown
And the Omega of this power has no order

We all danced through oceans
Raped by this machine
We all swam through flames
Eyes set on this screen
Don't know the time I lost.

Sapphires were staged, electric lives
Jewels of history and destiny.
Power of DNA, pervertion is key

We all danced through fire
Stuck in this machine
Don't know how long we waited
While the Chaos watches.


Bóias e Algas.

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Sempre me quis sentir mais alto e subia às escadas de incêndio para ver o mundo de cima. Tenho medo das alturas.

Sempre me quis sentir luminoso e ficava ao pé dos candeeiros para ver a minha sombra. Tenho medo do escuro.


Fala Agora Ou...

O amor é hipotético,
Faíscas e abraços à chuva,
Tudo possível, nada plausível.
Até as letras nas cartas são tinta,
As estrelas fogo que nos consome,
E as canções também podem ser rugidas.
A história são só números por extenso
E um casal apaixonado pode cair ao rio,
Só os afogados ouvem um silêncio tão alto.
Os nus não têm armaduras
E enfrentam colisões onde a mente não chega
Porque o coração existe.

Os riscos são altos
A água é turva
É sempre tarde para apologias,
Não existe tal coisa como perdão.

Cerimoniais.

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Eu sonhei com a morte, acordei com o calor das lágrimas. Sou um lobo em busca de sangue, mordo corações para manter as dentadas e cuspo-os por não gostar. Sinto-me a merda de um monstro, quero desprover-me de sentimentos e arranhar tudo o que tenho à volta. Se ao menos pudesses ver a besta que fizeste de mim...

Morri numa fortaleza de gelo. O meu corpo nu rebolava e queimava-se no chão enquanto a mão sangrenta me apontava. O trono de diamantes não se mexeu enquanto o sangue das paredes descongelou e o oceano vermelho me engoliu. A luz fracturava-se mas o brilho da coroa mantinha-se imortal.

Acordei amarrado a uma parede roxa trabalhada a ouro. E as vozes de compaixão chicoteavam-me e chacoteavam. Quando me soltaram o desejo era roer cada milímetro dos seus corpos - por outro lado, dei cambalhotas e cantei-lhes serenatas glorificantes. É esta minha natureza de me menosprezar quando já me sinto um tapete.

Colecciono contrições e nunca rezo para que me exorcizem os demónios e os espectro…

Celesta.

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A tua mente é uma seringa no meu corpo
Os teus lábios percorrem-me a cara
E voltei a acreditar em guerras santas
Porque este amor é uma cruz

Excitação e um silêncio gelado
Amor-ódio, amo-te, ignora-me
Não quero mais jogar contigo
O teu papel é feito de pedra.

O corpo é frio, o gelo não quebra,
Já só nos conhecemos quando estamos nus.


Espelho Partido.

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Aqui têm a fase da aceitação: a realidade é um nojo.

Quando olho à minha volta, não é que queira meter um pouco de mim em tudo o que vejo - é só que a realidade parece-me tão mais interessante vista pelo caleidoscópio do cérebro. E chego a ter medo da forma como vejo o mundo... por vezes é tão reluzente e outras vezes é tão sombria... não é que seja um gaiato parvo que ainda vive no seu mundo de faz de conta, é só que esse mundo de faz de conta é bem mais interessante que as coisas sérias. Eu gosto de me rir, nem que seja de mim, nem que seja do que penso... nem que passe por louco, eu gosto de rir.

E por vezes penso em quando tinha uns doze anos... lembro-me de estar sozinho na sala a falar para mim mesmo sobre coisas de que me não orgulhava. Nunca quis evidenciar as minhas paixonetas primárias e enquanto falava para mim, o pensamento absorveu-me de tal modo que quando abri os olhos a minha mãe estava a gozar com o que tinha acabado de dizer. Não foi a única vez em que não sabia se e…

Entes Queridos.

Por vezes ignoro-te para me manter no controlo.

O que é que pretendes, Tiago? Sempre à deriva numa fantasia de superioridade, projectas sobre ti mesmo um foco inexistente. Eu existo para não sentires que existes. Eu existo porque abominas o teu mundo e tens medo de dar um desgosto a quem te rodeia... desgosto... nem és assim tão importante, acredita. O meu nome é Caos porque "só fiz merda na vida," contudo, vives loucamente apaixonado por alguém a quem apelidas de "Desordem," que por sua vez também só te magoou. És sempre mais, sempre mais, nunca podes repetir nem dar um sinónimo de um adjectivo que te descreva.

A minha vida é um paradoxo que rasga as fronteiras entre a realidade e a fantasia.

Despes-te de todas as desculpas, para tudo e todos. Não tens um rastilho de honestidade. És um mentiroso. És um mentiroso. És um mentiroso. A tua vida prejudica-te mais do que sentires-te influenciado pelos outros. Finges ser alguém para descobrirem os podres desse alguém e no…

Dias de Maçã.

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Se eles me encontrarem,
não deixes que me levem.
Deixa os ovos comigo,
leva os talheres e o sexualismo.
Não permitas a merda,
mas autoriza que seja bendita.
Fortalezas de vidro, espelhos tingidos,
e luzes mortas pela noite.
Astrologia e sadomasoquismo,
não vomites fora da sanita.
Não tenho água, só estilhaços no chão
e anseio pelo cheiro a carne e suor.
Se eles me levarem,
não deixes que te encontrem.

Sinos de um trenó e renas,
grandes guerras e melhores amigos,
casais de cowboys e robôes,
"eu só te queria amar,
só não te queria matar."

Ridículo Eu.

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Isto é a manifestação de toda a minha cobardia. Abaixo sete marés de mercúrio e água, eu rezo por uma última força que me restitua a respiração... ou não. Um suicídio de proporções mágicas e mitológicas, superiores à capacidade prolífera das lágrimas de Werther. Aqui eu espero, sentado, o fim de toda a valentia que o nome não me valeu. Aqui eu espero pela última bolha de ar que cuspa dos meus pulmões.

Mas este suicídio não trouxe um fim - mas sim um começo. Tanta vida quanta morte, aqui começou e acabou. Só quando nos vemos próximos de um fim encontramos alternativas. Só quando aceitei que ia desaparecer descobri de novo as maravilhas da água que me escorre pelo corpo nu enquanto escrevo. A morte não é eterna se pensarmos na vida como todo o tempo que conhecemos.

E aqui eu fico, sossegado enquanto me divirto sozinho com as magnificências da mente sob estupefacientes. Assim acabaria o fim de uma ligação egoísta, entre mim e o meu corpo. Entre o meu interior com este exterior que aqui v…

Petróleo.

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Nunca quis mentir para este espelho...
mas o mundo é um reflexo de todos os meus nojos.
Para viver o tédio, vivi dentro de mim,
Onde sou os meus próprios tijolos da Lego,
Onde posso ser o rei de todo o nada.

Não há realidade espessa o suficiente que filtre estas ideias.

E mesmo que esse petróleo exista,
Vou ser sempre mais infantil em horizontes oníricos,
Estar sempre no nível certo e fingir sorrisos... para sorrir.

Quando as palavras não devem escapar e não sei se falo ou se penso,
Quando tenho os pés num chão de todas as cores,
Quando a queda para a cama já é, em si, um sono profundo.
Aí, sou livre.

As Hostes da Noite.

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Eu vou caçar a mentira para o meu jantar,
Eu vou arruinar este reino e sobre a sua sepultura fritar.
Eu sou a face da Lua, as tuas lágrimas sujam a noite.

Vou adormecer o mundo no escuro,
Puxar o lustro ao cosmos, cada sonho acordar um pesadelo.
Eu sou um batalhão de demónios, toda a atrocidade.

Não resistem diamantes.

Este é o teu baptismo e não te vamos perdoar,
Uma nova confissão de cada negação ao cérebro,
Um funeral para qualquer santidade que tenhas.

Destes sinos não renasces, a capela vai ser submersa,
Todas as achas serão lavadas pelas ondas dos chuviscos,
E vejo-te romper e explodir, com medo da indiferença.

O meu espelho está partido.
Não quero viver de medo e nojo,
Só quero sentir como se flutuasse
Em vez de constantemente explodir,
De medo e nojo.

Matagal.

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Não quero mais eus,
a minha multiplicidade já me corrói.
Odeio semelhanças, não há ninguém
tão diferente de mim como eu mesmo.
Eu amo o meu Caos.

Pai, onde está a minha pistola?
Agora que a guerra vai começar.
A culpa é minha, vou desatar.
Alimentem os diamantes dos mares,
quando eu tiver partido na morte.

~ORDEM:
Desafio-te! Usa essa pistola para teu benefício.

Não existe proveito num coração de defeito.
E se todo o meu mundo tiver sido uma mentira?
Se me matar, vocês morrem todos,
Eu não temo ser esquecido,
Eu sou o esquecimento.

Mais uma ligação caída no oblívio.


Desordem.

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Eu vi-te na lama quando todos me prendiam... e tentavas mexer-te mas a lama sugava-te e nunca voltaste a ver luz. Lá no fundo era vergonhoso, ver que eras importante, pensar que valia a pena estender-te a mão e puxar-te de volta a mim - saber que ainda, ainda, ainda te tinha em tanta consideração. E o sentimento não passa, as mãos não abrem e não quero largar o teu pulso enquanto me rasgas os braços para que te largue.

É como se me afogasse e ninguém me ouvisse - mas eu vivo esse desejo. Os braços do oceano são o meu fascínio por quem perdi e nunca cheguei a recuperar. Como se a água expurgasse e me transportasse para um sítio onde ainda teríamos as mãos dadas enquanto nos beijávamos à chuva. Deixar esta vida a que apelido de maldição - viver como vivo: ser sem nunca poder, tocar sem nunca sentir - e passar a ver-me como os outros vêm, um sortudo que é facilmente privado daquilo que o coração quer, viver uma bênção.

Todo este dinheiro, o valor dos diamantes a que chamo paz, amor, soli…

A Máquina.

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- A Máquina inicia o processo quando carregar no botão.
- Ela imprimirá um sonho e mostrará como nunca o irá alcançar.
- De seguida, ela manifesta um erro e começa a cuspir tinta que lhe entrará para os olhos.
- O processo deve ser repetido sempre que sacudir as lágrimas e limpar a maioria das manchas. Eu sinto-me um bocado, um bocado fechado,
Quando reconheço talentos a que não alcanço.
Renuncio leis a vocábulos tão simplórios,
Prefiro ficar-me pela venda do meu coração-pop.

Eu vejo quando não vejo que vejo,
Pessoalmente cair de cara ao chão e furar dinheiro,
Prostituir esta miserabilidade temática e desconexa,
E andar na boca de todos esses apedrejadores.

Sempre quis ser um herege ecléctico, o desejo é morrer afogado,
E a vida deve ser vivida em constante fornicação-masturbação.
É um nojo e um desgosto e um calabouço pensar que saí assim,
Divindade caída aos pés de absintos, um caleidoscópio focado.

Tão simples, tão ineficaz, pobre e vulnerável.
Habilidades para quê se não há vocaç…

Inundar.

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Não há relação que não se esqueça,
Cada fogo rapidamente evapora na água.
Os teus saltos espetados no meu coração...
O fumo que cospes, minha besta...
Foram todos prazeres desnecessários.

Abraço-me ao oceano,
Onde os meus fluídos são mercúrio e lítio.
Aqui me afogo, gozo e sufoco.
Não me largues, meu amor.

O reflexo do sol no lençol de água, ugh.
Quero sentir a última respiração fugir-me da boca,
Deito-me à água, deixem que os átomos me comam.
Os factos só têm uma porta e é este precipício,
Onde os esqueletos são podres e o meu corpo é púrpura,
Acabo com a pressão. Nado para a pressão.
É só isto que a água tem para me dar. Uma desilusão.


Monarquia Americana.

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"Uma jornada selvagem ao coração" e às mentiras "do sonho americano."
 ~Hunter S. Thompson

A loira que tem a vida feita reina sobre um trono de arranha-céus e Monroes,
Supõe de dores, ardores e cotoveladas na parede enquanto a coroa lhe cai, embriagada.
Cospe dólares e assoa-se a lenços de petróleo que queima em tochas "livres".
Eu conheci uma rapariga em East L. A., e pela imigração não posso casar por lei,
Vivo obcecado com os nojos da América, vomito prostituições como que legislações.

O sonho dela é destroçar um lar, ela é a cabra em que te queres enfiar.
Este enredo é o porquê da tragédia, são as lágrimas compradas mais sentidas.
A minha última prece é que morra para eternalizar medos e nojos americanos.
Somos sodomizados pela máquina e prestamos contas ao governo, por mais.
Como última acção quero pagar o pedaço de plutónio que me ocupa o coração.

Desde criança vivo o mito de Nova Iorque, para as mentiras me desiludirem.
Fui iniciado na explosão e…

Superior da Penumbra.

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Colecciono complexos que não iluminam as minhas mais escuras lástimas. A resposta está na minha constante busca de uma nova dimensão, vestindo novas almas, um coração de cada vez. As teorias só me retratam a mim mesmo, vivo numa constante duvida sobre a minha autenticidade, sobre a essência que existe em constante mutação. Um núcleo repetitivo para uma canalização de diferentes ondas e luzes de cores.

Hoje inauguro e repito monstros da minha vida. Em júbilo e na melancolia, o coração conduziu-me à obliteração. Copo a copo, gota a gota, todos passam por isto. A solidão rodeada de novidade levou-me ao pânico, à regurgitação vital. E sonhei sobre os ódios mais ancestrais, ouvi as suas vozes digitais unindo-me a eles para novas tramas e dilacerações. Riam-se de mim como que coberto de pós dourados, rosados e brilhantes.

Eu vivo no interior, no meio de tudo e nada, onde existem as coisas. Eu sou o que sobra e ao mesmo tempo sou tudo o que alguma vez existiu. Um preâmbulo e ao mesmo tempo …

II. Crime e Castigo.

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Eu não sou herói nenhum, nas memórias de ninguém. Qualquer corrente foi desligada e nem esta manifestação a vai voltar a unir. Não quero que ninguém faça parte da minha colecção de lamentos, mas essa aglomeração de espinhos num coração transborda este aquário.

Rugidos e assombrações partem corações e traições,
Enfrentei o teu povo, demónios e religiões.
Nem oceanos, nem anjos obliteram fogos odiosos,
Sete cruzes às minhas costas e expiro balas,
Acordo espingardeado a cada aurora.
Sonhei com tecidos e sons molhados,
Caminhei como se a morte fosse reversível.
Tal como a minha projecção é um espectro,
Este Reino de Diamantes é uma mentira.
Cada passo espeta-se no calcanhar
Às escuras só reluzem as tuas lágrimas.
A minha dignidade não é sanidade
E essas tinturas mancham bandeiras brancas.
Nem o mais matificante álcool saneou a dor.

No útero de um revolver somos mentiras dadas à luz. Raspamos mas nunca rebentamos a miragem que é o nosso alvo - ele move-se; o centro não existe; nunca vamos a…

3. Seis Lanças Num Furacão.

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Eu toquei na face de todas essas ignorâncias,
E ajudei o próprio Zéfiro a soprar novos ventos,
Reconheci a extravagância destas seringas,
Eram lanças que me rasgavam os braços.
Não eram drogas, eu vivia na guerra.

Os teus dentes injectaram-me de água benta,
O sangue, de tão místico e surreal, tornou-se vida,
E as tuas asas puxavam os meus punhos de álcool.
A tua voz causava dormência aos meus olhos,
Mas a firmeza de te alcançar e morrer manteve-se.

A lama escorre e essa colher não aquece sozinha.
Como pontes num oceano, a inconstância dá-me pressas.
A multiplicidade e a única unidade do caleidoscópio,
Estas quimeras fazem parte da mesma personalidade,
Em vários recantos de um simples cérebro.

Estranheza e encantamentos para mudar o invisível.
Os dragões deitam-me e tratam-me nessas cadeias,
O cheiro a carne não indica que eu seja o seu jantar,
Por outro lado, aqui eu serei sempre o meu próprio Rei.
Sou a miragem de cristais e incêndios.

Mas as masmorras são buracos de serpentes e corr…

4. Escudo Diamante.

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Saber corrói. Atingir infecta.
A ciência gela a emoção,
Os sonhos cristalizam e não precisas mais de respirar.
Desaparecemos para o nosso mar, o nosso céu.

Chorando ou insurgidos à fúria,
Ignorando que os filhos do gelo já foram homens,
E é por isso que continuam a sonhar.
Na morte os corações não são glaciares,
Nem as nossas achas são pó de diamantes.

Podemos facilmente vomitar um novo e límpido mar,
Num novo mundo através de inocentes palavras.
Novas águas que não temos de congelar,
Onde espectros possam livremente flutuar.

É o que a sapiência nos trouxe,
A salvação que nos aparta da vida.
Viver é violência e selvajaria.
Não morrer é pura covardia.


5. Golias Heróico.

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Quero que o único som seja irreal,
Não quero cair para a fragilidade da cobardia.
Vou ter sempre a terra por debaixo dos pés,
Assim o poder e o medo do escuro não se completam.

Todo o terreno é uma desilusão,
Cada tremor devolve-nos aos nossos demónios.
Oh, pobre Atlas, o nojo é que oprime as tuas costas.

Deita-me na areia molhada com as tuas mãos sujas,
Tira tudo o que me deram e atira-me para o buraco.

Possuí a última cicatriz deste escárnio,
Derrete a derradeira lágrima de alegria.

Tudo o que sobrou ficou por se consumir.


6. Léxico de Capuz.

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As tuas esperanças são meras ilusões,
Nada mais que miragens.
Obscenidades vitalícias e promiscuidades de desejo,
Todas elas inexistentes ficções.

O drama da vida e a poesia da dor,
Os sentimentos sangram a tua face,
Mancham com tinta o coração,
Tatuam eternidades de espanto e horror.

Os mundos de escuridão,
E as sombras da memória,
As tatuagens nas cicatrizes,
Todos se aninham na mente.

Os sonhos são apenas bonitos e inacessíveis,
Cristais de cor e vitrais de luz.
Tornar-nos-ão completos.
Reinos e corações.

Cada pessoa que dizes. É uma mentira.



VII. Crocea Mors.

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Quando sei a verdade, acredito em visões mitológicas.

Posso não ter coração, mas mantenho as memórias. Quando era novo, adormeci ao pôr-do-sol numa selva, eu era cuidado por lobos. Quando cresci, o nascer da lua deixou de me trazer segurança. Deixei de viver para exterminar. Se as lágrimas existissem, por entre cicatrizes seriam gotas de sangue. Foge, o meu sorriso é um rugido da meia-noite.

A dicotomia ilumina os passos para uma morte crucial. Às luzes da sombra, nascem-me pelos no coração, crescem os dentes e eu morro humanamente, sem justificação. Sou a besta interior que uiva às luas do Outono. Só as luas me dão razão para permanecer. Só elas me bestializam e tornam sentimental.

O meu lunático horóscopo só mostra o crepúsculo. Ao dia a serenidade constrói a pessoa. O nascer da Lua cria um lobo das minhas veias. A morte amarela e o cheiro a sangue, suores frios e sonhos desesperantes. Queria sentir, mas não assim, quero viver mas não destes fins.

Lua nova, eclipse, renascer - a lib…

VIII. Dança de Chamas.

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Comete o meu nome à memória, nas chamas cuspidas da ignorância.

Assistimos a um constante circo de labaredas, vivemos um inferno mental, a árvore tragada pelo fogo. Comete à memória o meu nome, num novo fulgor do amor porque obcecas. Une-te à ideia, um palácio de ferro à beira do colapso, um tsunami revoltante, um sonho desflorado.

Deixei arder um santuário para plantar uma panóplia de velas vermelhas, de cera e sangue - onde rezo e vejo as lágrimas evaporar, com o desejo ardente de ter e sentir paixão. Eu não sou um robô, preciso de sentir algo que derreta o metal desta carapaça viva. Um Sol que não incinere o meu sangue, um álcool que não sacie a sede, uma gasolina exterior. Às minhas mãos as rosas suspiram fins, espirram e desfazem-se em cinzas.

O meu sonho é não sentir o peso da sombra nos pés, não me enterre a cada passo no chão e viver por um dia são. Vou subjugá-los! todos, como planeámos - não contes isto a ninguém se já todos o sabem, excepto nós. Cria-se o 13º conflito, uma …

9. Melodiosa Nocturna.

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Lágrimas de uma guitarra,
O piano tecla no coração.
As chamas da harpa consomem,
Rebentam-nos com a bateria.
Corrói os ossos,
Melodiosa Nocturna.

Esse sarcófago não é uma cruz,
Enterram-me num quintal,
Elevam-me à morte,
Gloriosa e Nobre,
Oitava asa de um Serafim.

Sai-me da memória,
Reminiscência de raiva.
Fúria e miséria,
Feroz horror e fé.

A canção da morte
Redime o nascimento,
Vivo tingido, cor de dor.
Não morro.
Inesperado Segundo Advento,
Foi o que a água me trouxe.

Redemoinho onírico,
Afogo-me na Babilónia,
Coerência e incompatibilidade.

Renasço para recriar outro Caos.


X. O Ás de Destinos.

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Vamos saltar as formalidades. Afirmemos que o Ás de Destinos é um jogador, em cuja mão estão A Morte e A Torre. Jogamos dados que são indiscretas afirmações e as nossas bocas unem-se por míseros segundos numa orgia de sorte - faz parte da regra e da única forma de jogar. A roleta russa é uma solução quando a pistola tem a câmara cheia. A vida é um percalço.

Ordeiramente entrego as cartas e esperamos que o jogo termine num acaso. Uma ordem para um diabrete. Não é desespero nenhum saber que estamos na linha de fogo... que em segundos podemos ser glorificados ou fulminados - uma sensação de excitação brilhante, o calafrio de sentir viva a nossa projecção de sorte.

A vida é uma partida para ser ganha, mas que toda a gente perde. Somos os próprios peões e duques para uma realeza, movidos por mãos de lógica e fortuna. Pedir aos céus pela sorte é a trapaça mais fraca - se não tentar, simplesmente não alcanço. Se evitar, a emoção cresce e, não morrendo de uma maneira... vou acabar estendido d…

11. Desabrochar da Foice.

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O esquecimento devora e a escuridão floresce.
A Morte dança a reivindicação de mais vidas,
Sentimos os seus pés na tampa do nosso sepulcro,
Arranha-nos a espinha mesmo quando já não sentimos.

O gracioso assassino brinca com veneno,
Assim desabrocha uma foice das rosas.
O delicioso perfume é mais uma miragem,
Droga os sentidos e leva-te ao fim.
Conseguir o que queremos é perder o que adoramos.
A graça de uma dália, um lotus reverenciado,
a solene hora da magnólia e a vingança de um cardo,
A mais pobre flor quebra o mais metálico coração.
O pólen nos pulmões infecta a cristalização,
A vida numa maré de ácidos.
Essência da mais bela flor, um desgraçado desenlace.

Sinto-me a secar quando te vejo,
O meu cabelo, dente-de-leão é soprado,
O resto derrete e escorre para o chão.
O príncipe mais amável para a mais depravada mente.
Eu queria crer que estava possuído,
É tão difícil combater sentimentos.

A minha rosa de cristal foi espezinhada,
Sou a pessoa errada na sala errada,
É esta a verdade p…

12. Ninfas Selvagens.

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Quatro facas rodopiam na mão da fada.
Nem só de nome vem o seu assédio,
arranha sem piedade as veias,
trinca insuportavelmente ossos.

Já estive aqui, debaixo da torrente,
os litros do meu sangue em absinto,
vou embriagar a cruz que trago.
A minha alma é um alvo.
Esta ninfa fornica com as gentes,
violenta selvajaria, todos esperam,
mas ninguém quer ser Rei da Dor.
O esqueleto é uma pistola.

Pela diversão mais uma dor,
o coração é um mistério,
desenho círculos na mente.
O meu destino é outro.

Uma puta psicadélica...
toda a gente alcança.
Nem estrelas nem cometas,
um simples toque.


XIII. Serendipidade.

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Em todo o lado. A Fama. A minha história é minha. De mais ninguém. O problema é meu, se habito na solidão e sou o meu próprio fardo a carregar. Vivo num copo vazio, sempre desejoso de nada em álcool.

O acaso não foi escolher, foi conseguir.

Ninguém me ama por ser a chave da serendipidade. A sorte manifesta-se tão monocromaticamente. É tudo um caos maior que anterior - vivo para criar um novo Ámen. Os caminhos são cruzamentos de campas num cemitério. Ninguém me vai amar por ser a minha chave de sucesso.

Das asas escorrem cascadas de chaves, umas negras outras brancas. As lágrimas são sangue e este, petróleo. Por debaixo da carne tenho pistolas e escudos - o ódio queima os pneus com inveja e eu não sou combustível. O céu persegue - é uma comunicação e uma razão de semelhança. As nuvens culpam-no por existirem.

O oceano não tem pontes - nós somos as nossas próprias ligações. Prostituição escrita, eu posso ser tudo mas no fundo só me manifesto como quero. Uma esponja de desejos, um cockta…

Lapsos.

O Homem morre. A besta cai. A planta perece. Até os continentes colapsam. Só a morte é a resposta para a vida. Uma única e derradeira finalidade para o estrondoso trauma que é não significar. A vida é um espelho por onde passamos, o reverso do nosso inverso é um fim. São estas as únicas verdades que devemos considerar e manter. Tudo o resto muda, tudo é uma esquizofrenia sonhada pela falsa esperança da miragem que é o objectivo.

Cordas e acordes... e acordou de um fumo para um novo sonho. Desvanece mais uma copa e os diamantes desvalorizam. Racionalizam-se facilidades e o tempo conta-se a si mesmo. O espaço é uma velha finitude. O espírito reside na galáxia e não em nós. Defino a liberdade como uma tirania, e a tirania como uma liberdade. Para nós, ter ideais é errado. Não há chave para o mundo a não ser viver o pedaço de caos puro, sem anestesias nem sedativos, que todos percorremos diariamente.

Desdenhando poder, ele ostracizou a projecção da comunidade e aprendeu a sua própria sociol…

A Outra Promessa.

ao meu avô.

Um último pôr-do-sol de mãos dadas
As sombras estendem-se em tapetes,
Voltámos uma última vez para casa.

Hoje a chuva cai de um céu mais bonito,
A nostalgia assombra e conforta,
E os desejos do passado não se realizam.

As memórias nunca me vão abandonar,
Se a perfeição existe, fomos nós que a conhecemos,
E vai haver sempre alguma linha que nos una.

Os dias finais de mais uma jornada,
Vou ficar tão melhor quanto pior.
Mas tu não pertences a ninguém - e estás sempre comigo.

Quem é que me vai levar ao parque?
E cantar para me embalar?
Gelados sabem melhor em companhia.

Eu nunca disse as poucas sílabas de um resumo
E agradecer não basta, porque me envergonho.
Não estamos perto de um adeus. Mas eu amo-o.

A Mentira de Ouro.

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Há um certo ponto em que a preguiça se torna no pedaço mental de uma fábrica. Não fazer nada; pensar num cigarro; enrolar o cigarro; fumar o cigarro. E fico preso numa espiral de sonhos repetidos até ao ponto em que pratico realmente as acções anteriores. Se tudo à minha volta é uma prostituição de ideais, eu não vou ficar por alterar.

O que procuras eu enterrei, quem chamas desapareceu. A memória foi um sonho, um desejo ilícito que mantens vivo - na tua incapacidade de existir. A torre são restos de um avião e voar acontece constantemente.  A Mentira de Ouro foi o código deixado - nem tu nem eu decifrámos. O resultado de uma equação sem incógnitas foi a separação entre os infinitos.

Ganhares foi nunca teres as mentiras que disseste escritas. E agora cultiva um ódio pela assunção. Vives por entre o fim do mundo no precipício de ti mesmo - queimas as roupas que usavas para a nostalgia não te queimar a ti. A tua mente está esburacada de tanto escavares... mas não és tu quem guarda a men…

Espelhismos.

Sou não sou? E porque não? É assim que tem que ser. A sério?

Sou um diamante.
Sou um Ás de Copas,
talvez deva ser jogado.
A Lua brilha em forma de coração
e o céu é roxo,
um Reino só para mim,
um corpo para eu possuir.
Deixar para trás a minha pessoa que tem sono,
para viver acordado mais um sempre.
Sem alvorada nem crepúsculo,
o dia mantém a sua fé.
Uma inabalável rosa
cujo orvalho reflecte todo o tempo,
é espezinhada para se manter em pé,
para desabrochar novamente
e nunca perder o brio.
O fumo é um oceano sem pontes
por onde nado para casa,
sou um peixe
e o cansaço afunda-me.

Lamento,
eu adoro-te
mas as chamas gritam o meu nome
e eu não caminho sem as minhas muletas,
muito menos
para o inferno.

Brindes Assertivos. / Cobardia e Hipocrisia.

Se existir não magoasse, a vida era uma constante dor sem significado.
A culpa tem sido sempre o lado pesado da fama, o conseguir não conseguir.
Mantém-se aquela inocência de não querer perder a doença,
a que nos mata, por achar que é a única coisa que nos mantém vivos.
Morro por dizer que as marés alentam quando desapareces,
Que já vivi alimentado de fome e o orgulho não é um luxo.
Quando sabemos o que dizer já passámos a ser mudos.
Há sempre novas chances de desaparecer e as mesmas velhas de viver.
A princesa cavalga para a sua riqueza quando sabe que sobreviveu.
O escuro facilita a simplicidade do que vemos, reflexos e ondas.
Quando os príncipes voltarem já só vai haver um trono e a guerra vende-se.

Eu não sou louco, eu não sou louco, eu não não sou louco.

Jóias da Coroa.

Sob pressão e sou perseguido por cutelaria - numa Hollywood de fanáticos em debandada pelo troféu dos troféus. E sejamos bem-vindos à selva, as bananas perseguem as nossas caudas enquanto nos catamos mutuamente. Este areal está pavimentado de lamparinas mágicas e os desejos são novos acordos de caça que travamos com os predadores. Eu não quero viver de medo e doença - no fundo, ou no topo, eu só me queria sentir a flutuar, isto é... os cigarros não são cigarros.

Esta luz é nuclear e o peso manda mais que a mente, a mão treme mais que sempre. A sedenta fome de informação infecta o cérebro, quanto mais sabemos menos interesse temos. Mas a história só resguarda quem faz merda, e é por isso que tu cá vais ficar... e é por isso que vou ser imortal. São os sinos que ecoam as palavras "juntos para todo o sempre."

Um grifo em quem os ecos confiam e os rumores transitam. A vida não é um quadro. Basta dizer o que querem ouvir para ser chamado de nojo pela noite - nada se aproveita. Nã…

Pontos Finais.

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XIII. 12. 11. X. 9. VIII. VII. 6. 5. 4. 3. II. 


[ mergulho profundo ]

está tudo a voltar até mim,... a verdade

memórias tão crípticas, mensagens tão subliminares...
medo e ódio e nojo e calor.

um silêncio profundo que deve ser quebrado.
uma história de fragmentos contados e nunca juntos.
cada vez mais se fecham os olhos.

a memória é tão natural, tão simples,
um fio de fumo prestes a desvanecer.

quem és?
és tudo o que não querias que fosse.
onde está a essência?, se é que deve ser encontrada.

uma criação da ignorância.
para lá da escuridão não está a porta da luz.

o meu santuário de medos e mentiras,
fugi quando a tua voz me abandonou.
não quero fugir mais.

um mundo mediano. um meio esquecido.
o meio termo da verdade e da mentira não é a realidade.
quero que juntes as peças. eu vi o teu coração e sou eu.

quem é ninguém? são os que nunca existiram e te influenciaram.

METAMORFOSE INTERMINÁVEL.
vim pedir a misericórdia. és a fonte da poeira no coração.

és igual a ele.




[ abalo do mundo ]

pon…

Manifesto de Personalidade.

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Viver por detrás de um ecrã.

Esquizofrenia não é teatro,
toda a pessoa foi esculpida,
um vai e vem de fingimento.
Nem uma sombra da fama possuem,
obceco com o nojo de cada ser.
Sempre um vilão, vivo imbatível,
nariz empinado e andar de Aquiles.
Um ser múltiplo num viver único.
O sarcasmo é um bosque
e a agulha é a resposta,
uma demanda que deu que rir.

Estrelas na minha bandeira,
encontraram a BILLION DOLAR LIE.
O cigarro faz perguntas,
mas nem pessoas somos.


A um Quarto das Quatro.

Não há que mudar nesta cama.
Minha Nova Iorque sem significado.
Tristeza selvagem inexistente.
Afogado em conforto.
Paz, luxúria, solidão e felicidade.

Toda a gente obceca
A riqueza e o reinado, uma coroa,
Posse megalómana de tudo,
Nunca pensei, mas posso ser um vagabundo.
Que se fodam, sou um dragão.


Mesmo quando os caminhos tomam forma de garfos
E as colheres falam comigo mal das facadas
O prato é sempre o mesmo, um largo pedaço de tempo
A só, à fome.

Rugir.

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A Lua reflecte o brilho de cada azulejo que piso, debaixo do céu roxo. Pé ante pé, cravo-me no chão, na brutalidade da besta em que me tornei. Foram velas rezadas a preces por responder. Fujo das memórias que me querem exorcizar destes nojos - como pérolas de luz que não purificam o doente. O sol põe-se numa nova sombra de vermelho que reluz no sangue e suor por onde nadamos. A passagem adiante fecha-se por entre derradeiros espasmos vitais. Os meus uivos cantam arrepios na tua espinha.

Escapar à luxúria e à vaidade levou uma vida. Decidi elevar erros a dogmas e deificar ícones de guerra. Agora arruíno-me. Quem fica, rima lamurias, grita "porquê" e deixa escoar o significado à vida. As últimas estrelas de um tanque de guerra são memórias vivas e assombrosas de heroísmo e belicismo. Os enfermos antepõem a morte à paranóia. Ninguém vive para ser uma lasca de carne. O último rugido foi um réquiem lacrimoso.

Aqui ninguém quer viver a verdade - todos se tapam em pequenas fantasia…

Quebrar.

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O mais carente toque deixa a nódoa mais negra
E o mais doce beijo pode derreter um corpo
Uma terra de harpas, anjos e fénixes
O coração é violado pela única verdade
Em ti já só existe um desejo tatuado com o meu nome
E uma barreira de lasers e robôs partida
A auto-destruição de dizeres o meu nome
Mas o sonho deve ser controlado
A mais dura noz vive segundos para se romper
O interior de uma rosa pode ser nojento
Mas o mais frágil dente-de-leão pode ser inquebrável
Quem ceifa vence sempre.
Ouvi o pior e ignorei, vi o bom e não o vi
O medo só nos leva ao esquecimento
Eu vou casar com a minha própria vida
Pisar o último espelho que traz nostalgia.


Empatia e Descrédito.

Não pode existir só inferioridade,
O sexo de reconciliação é sempre o melhor.

No fim da guerra faz-se por matar os últimos moribundos,
eu não...
Disparo as últimas balas para que alguém caia na minha cama,
fujo do mundo e derreto a mente, sou assombrado pela saúde.

As poeiras que se levantam só servem para se enterrar,
eu sou o mais cruel dos homens, brinquei com psicologias a mais.

Novamente, flutuo em absinto para me afogar no oblívio,
deixar as memórias escorrer, à minha frente está um espelho absorto.
Os cigarros bafam nuvens de crença onde nado
e tudo o resto é um estilhaço cheio de vapor.

Se a história é minha, tu não fazes parte dela,
a nostalgia é só uma morte mais confortável
e o medo é uma má memória.

No fim, tu cresceste para acabar no talho,
no fim, no fim, eu vivi para ser o teu carrasco.
Eu cortei as cabeças à quimera e abandonei-me à fome.

As pessoas são ácidos de terra que tomamos para vomitar.

Oh oh oh, estou apaixonado por Juda-as, Juda-as. Não quero sonhar com a mort…

Heteropsicografia.

O meu nome vai ser sempre Caos, eu sou o que não posso ser. Dentro da alma, sei perfeitamente se finge ou sente quem fode ou ama. Eu sou mais que uma personalidade, eu sei que existo, eu estou aqui, preso nesta caixa em forma de corpo, de onde não me deixa sair - porque fiz merda, diz ele. Ele diz que fiz merda e que destruí a sua vida. Mas quem é que age neste corpo, se eu sou só uma ideia? Eu sou parte de uma esquizofrenia.

Turquesa e Preto. Feminino e Prostituição. Fama e Destruição. Vivo dentro dele e sou o oposto do que ele pensa, sou um destino a evitar e não um ponto de partida recorrente. A verdade é que ele tem um coração gordo e um fardo na alma que é a reputação - o meu proveito e o seu defeito. E o Tiago... ele é que escreve, ele é que pensa nestas coisas todas, ele é que sabe como pensa...

Há uns meses, olhou para mim com os olhos lavados em lágrimas e disse-me por entre soluços "fizeste merda." Eu ri-me. Mas acabei por responder, ele não me diz que fiz merda!, …

Cegos e Correntes.

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A minha voz não é uma canção de embalar. A minha presença não é um trono. As tuas conquistas por mentira não são troféus que me possas esfregar na cara.

As sombras aprisionam os ancestrais na longitude. As nostalgias mortas restam numa ressurreição constante da poeira que tanto amaina como se torna num ciclone. O desejo é uma miragem de um espelho único na brancura do vazio mental, um espelho onde tu não me vejas a espreitar por detrás das portas, a atirar aleatoriamente escudos para as tempestades de setas e lanças que se debatem sobre ti. Pónei sujo, eu vivo para te tornar um Pégaso.

Sou um dragão à espera de ser degolado por S. Jorge, vivo para ser afogado em absinto e me embebedar em lágrimas. Cada ferida no meu corpo deve ser fechada por frias agulhas e cada doença anestesiada por outra doença, numa orgia de seringas. Sou um urso que foi caçado para ser o tapete da tua vida, o que cobre as ratoeiras que tinham a medida dos teus pés - mas para ti eu só queria deixar os teus pés em…

Educação Morta.

delicio-me debaixo de lençóis com absinto,
vanglorio-me, morto, atraiçoado e usado...
são novas jóias para coroas por comprar
as razões e preces são cornos de marfim.

rasgões nas almofadas, saliva escorrente,
a mão nas partes baixas e a solidão é um jarro
mergulho no escuro e afogo-me no egocentrismo
que remédio - mesmo só estou mal acompanhado

dez milhares de flores e a alegria murchou
farto das mesmas caras que enojam e fartam
repulsão de viver enquanto fornico o espelho
e essa morgue em que vives dá-me diarreia.

jogo-me a mim mesmo sem bolsos nem roupa,
nenhures já me pareceu um lugar mais remoto.
não vivo nas tuas letras mas sonho com elas
só oiço o meu som. Educar-te Mortalmente.

Santa Puta.

Ser ou não ser não é uma questão quando não falamos.
Violados pelas leis da liberdade, abusamos da nossa predadora ao ponto de a tornarmos poluição. No meu coração alguém se prostitui à esquina da igreja - os rumores obrigam-me a admiti-lo, que me vendo pela filantropia do alienismo.

Sou um poço de prazeres alheios, vago de dignidade e honra, o que os cornos me dizem eu aceito. Vendido ao público, prostituto da mente, alimento de egos. A carapaça é uma armadura de papel queimado pronta a ser penetrada pelas mãos ociosas de quem precisa de atenção e é isto que eu sou. Fácil.

Obcecado pelos outros, filosofante pela felicidade, a liberdade assemelhou-se a um caminho que me engoliu quando mostrou o seu tubarão. Eu tenho regras e sou uma criança. E sendo uma criança banhada em esquizofrenia, fraca psicologicamente, sou Peter Pan e o dragão mau. Eu sou o que eu quiser.

Maria Madalena viu o seu amor pela promiscuidade partir rapidamente quando se obcecou. Jesus Cristo perdoou uma puta que…

Relação Cósmica.

Odeio o amor, metalizo-o.

Numa nave espacial escorreguei nos anéis de Úrano,
perguntei aos Marcianos pela tua terraquiedade,
da terra responderam-me os lobos à tua novidade.
Assim os morcegos voam em teu torno,
comigo já só vives escondida nesse turno.
Quis fugir de Orion, não vivi sem Bellatrix
no meu planeta era vítima das mudanças da tua face.

Se és a Lua, quero ser um Eclipse,
desisto de aturar novas marés.
Tenho saudades de quando as nuvens eram nossos lençóis
e eras tu que te enterravas em meteoros.
As lágrimas arruínam a minha atmosfera.
Quero atingir-te com misseis estelares,
erupções solares.
O sentimento escapou por entre constelações,
e o coração sem gasóleo não o acompanhou.

A bateria acabou e a energia desapareceu
eu estava a beber e acabei por afogar.
Pesquiso a localização de um planeta,
de uma galáxia onde os nossos cometas
se misturem numa panóplia de ligações.

O teu satélite recorda-me da nostalgia,
navego pelo infinito como um peixe no céu.
Não há nada no meu peito…

Choros.

num pedestal místico de bronze,
rodas e rodas de ancestrais
ergue-se a imagem robótica,
o sonho psicótico, viver é demais.
pois eu sei que sou o pesadelo de cada noite,
fui eu que lambi e derreti a língua ao dragão,
quem envenenou a cobra com o tacto.

o meu altruísmo jorra sangue de egoísmo,
quero para os outros o meu único prazer sexual
pela água que nunca neguei ao pobre,
recebi orgias de fantasias e fetiches,
vivi momentos de gula e luxúria,
mais largo que a vida
amar é viver de menos.

não vou casar nem vou amar,
só quero a prata e o ouro.

inundam-se as paredes do coração,
um ácido esverdeado, LSD de bifurcação,
o unicórnio é um boi
e a morte não chegou.

O Trono.

Se os racistas lideram religiões de ódio, porque não posso ser Rei de uma paz? 

Um Reino não se funda sem assento,
tal como a Coroa não serve nas nossas testas.
O Poder foi criado pela bestialidade mais humana,
o Reino é um belicismo interminável,
no meu ego eu sou infinito,
mas a alma discorda na discórdia.
A solução é não viver em paz.

O Trono é sentar de preguiça,
ordenar serve para não perceber
as mulheres que acenam à partida,
elas escavam aos maridos os caixões
que o Rei mandou plantar.

O Homem é sempre um monstro,
o poder é para ser odiado
mas sem governo reina caos
e na desordem brota a morte,
sem perturbações, um silêncio absoluto.

Quando sou for, passo a um bastardo nas costas,
não preciso destas lágrimas nojentas
nem destes diamantes de castigo,
eu sou Rei, eu insisto,
mein Leben ist dein Liebe.

Exércitos de mortos,
arcas emergentes em absinto,
morcegos e cigarros,
ácidos para as quimeras,
nem assim o Governo vai ficar.

Cuidem do Trono,
podem ficar sem uma cadeira;
assistam …