Drácula
Sabes onde estamos? No sítio onde aconteceu o meu pior pesadelo. Descemos pelo elevador para o parque de estacionamento. Os lugares traçados no chão, a meia-luz artificial de um lugar onde não amanhece. Mas desta vez és tu que vens comigo. E vais poder ver o que eu vi. Repara no carro preto que está ali em frente, se contares, tem seis velas acesas no capô e, dentro de momentos, quando o porta-bagagens se abrir vai sair de lá um mar de ratos. Imagina-me ali no meio, a procurar não cheirar, nem tocar, em cada rato que me afogava. Prometo-te uma dentada de felicidade, um milagre mínimo, a graça que organiza por dentro. Que só funciona na penumbra, só funciona sem público, e só dura enquanto não se tenta provar o que foi. Um milagre de felicidade, um estado de graça íntimo, que não é grandioso, que não é imperial, e é o motivo pelo qual os verdadeiros amantes preferem a luz das velas (nem que sejam as do meu pior pesadelo) aos filtros do Instagram. Agora...