Cada Pesadelo tem uma chave

Nossa Senhora do Caos,
  Tende piedade dos obcecados,
  Dai-lhes paciência
    e uma mortalha para enrolar.

o tempo pára
  com o abrir da cortina.

afinal, quem é o público
  que espreita pela jaula
    enquanto cantamos
      aqui neste palco?

é História ou é arte?
  são factos ou meros sonhos?
    o que fizémos ou entendemos?

Nossa Senhora do Caos,
  Larga a salvação.
  Dai-me suspensão.
    Já nem peço piedade —
      só o silêncio.

são rumores ou pesadelos
  as vozes que silencias
    quando entro em palco?

as luzes ficam mais fortes
  quanto mais temos de esperar
    pelo vício de ser visto.

Nossa Senhora do Caos,
  Será que a luz
    me pode engolir?

com o cair da cortina,
  o tempo recomeça.

Nossa Senhora do Caos,
  rezo:
    que o teu despertar seja doce.

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