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Desgravitificar

No excesso de zéfiro Está a prova, em qualquer clima Está o senso de que nada se define Flutua como bolhas Incapaz de sentir o vento E só podia ser assim A navegar ou cavalgar Não há nada de novo sob o azul E voas pela gravidade Cavalgas pelo determinado Franqueias a anomalia Flutuas com dignidade Descansas com a morte Corrompes a espera E por tudo o que é brilho Submerges na luz À velocidade da submersão Ganhas ou perdes a tudo Irradias por outro lado Deixas os naufragados Cavalgas, mas largas as rédeas, Na luz que engole o meu solo Fazes e desfazes-me o mundo Não te curves agora perante regras Êxtase na gravidade Por tudo o que não é e cai Precisas a gravidade Agarras o que esvoaça ao vento Ergues-te à gravidade Ascendes e continuas a subir Alcanças a liberdade Deixa tudo e renova o chão.
— tradução livre de um excerto do capítulo "Ithaca" do Ulysses  de James Joyce O que é que na água fez Bloom, amante da água, fã da água, seu suporte, regressar à cordilheira? A sua universalidade: a sua equidade e constância à sua natureza de perseguir o seu próprio nível; a sua vastidão no oceano da projecção de Mercator: a sua profundidade desatenta na trincheira de Sundam que excede as oito mil léguas; a inquietação das suas ondas e as partículas da superfície que visitam, por sua vez, todos os pontos do tabuleiro do mar: a independência das suas unidades: a variabilidade dos estados do mar: a sua calma quiescência hidrostática: a sua turgidez hidroquinética em marés vivas e mortas: a sua subsidência depois da devastação: a sua preponderância de três para um sobre a terra seca do globo: a sua indisputável hegemonia que se estende em ligas quadradas sobre toda a religião por debaixo da linha subequatorial do trópico de Capricórnio: a estabilidade multi-secular da s...
Flutuam, bolhas De sabão, Assimilados Sonhos guardados Da reflexão... Cores que planam Fluxo de silêncio... Capriccios redondos E agora pululam Por mares hediondos. Estouram as cores, Geysers  de spray , E a íris! Reparem... Se deixam cair Sempre que amarem. Hesitantes acordes, Sol-e-dó da maresia... Ondas e rolhas (Choram cebolas) Flutuam, bolhas... E da arriba! Vem um carro! Estalam as bolhas, De sabão, Des-per-di-ça-das... 

Clarão

No desfile dos povos em frente à Deusa Calhou-me uma máscara poligonal O exército de um. E desafiámos lâminas em torno da estátua Da lua feita bode expiatório Paladino, feiticeiro, xamã. Recortámos o contorno às saias do vórtice Sem segunda chance Só o clarão. Os destinos não entreluzem tons do céu A minha prece não permite Deliberada cegueira. Luz o encontro das lâminas das javelinas, Escuda a realidade, relíquia da fantasia, Crescente sono. E não há frente para trás, nem traz a frente, Zigzag do pescoço, as faces irrequietas Dado lançado! Dado lancetado. Cai e torna a cair, fronte que se escama Desliza pelo solo a forte galope Limpa o sangue, irradia de novo.

Oblívio: A lâmina de pétalas

Eu rebolei na lama e salvei um trono. Certamente, seria tarde demais para apresentar o que quer que fosse de remorso. E, na verdade, era um péssimo dénouement . Os que se perderam pelos corredores deste castelo não receberam o memo : encontrar é perder, perder é encontrar. Não é uma questão de transviar as direcções, não é uma questão de trânsito. Não é sequer uma questão gnóstica, nem, até, de destino. É saber caminhar: pôr um pé em frente ao outro e seguir. A direcção da sequência é sempre frente, a vida não tem outra e o Castelo Oblívio é tel qu'elle . Sublinho outra vez: caminhar é em frente, não é para cima, meu bando de zés-ninguéns... ou seu, não quero apoderar-me do que quer que seja. Como tantos nadas que cantaram em refrões e ecos o narcisismo do meu passado, que permitiram a construção deste fantástico baluarte das armaduras. As muralhas sobrepostas, brancas, escritas a grafite, inscritas a grafíti, porque o simples é fixar o passado dos outros. O simples é fazer malabar...

Adamante e Copas

De súbito, endireitei as costas e expus a testa à luz. Dei-me a mim mesmo tal permissão caprichosa para um tufão da penugem de um albatroz. Da  pedreira, passei à clareza, da asma à respiração. Repentinamente, o tempo futuro dissolveu o passado e o coração pulsa sonhos de um tom rosa, menos petrolífero. Cheguei às fornalhas e atirei a armadura que sobreviveu à guilhotina. Do fugaz e da imprevisibilidade, devolveu-me a fúria de viver. Surpreendentemente, estas lágrimas sabem a amor e os sorrisos já não custam a esculpir na cara; A mão vagueia no ar em busca da outra que carece, o coração soluça enquanto não dança à tua melodia. Arrisco a dizer que se formam novos exércitos: A vida lança as cartas e tudo o que saem são copas a tatuar yours truly Mt. Rushmore no enredo destas veias E servem todas para te devotar.

Ray of Hope MIX

As ruínas que sondo No entreforro da realidade São desapontantes Remexem na responsabilidade Apagam os problemas De todos os apegos Removem-se do fim Os princípios da diversão. Oh, eu já lidei dantes Com os ingredientes da mistura A poção pela obsessão Não é uma nova possessão Que me mata outra vez A cada crua sensação E mata-me as que quiseres Com a eleição da gravidade Dessa espada. Já vendi o reino por um sonho Já assinei contratos a sangue Para oferecer filhos ao diabo Comprei um futuro a impaciência A êxtase e fraqueza, talento e doçura Em originalidade fiz explodir Os sacos de sangue nos céus Não passei nunca de um brinquedo. Já alguma vez viste o público passar-se? Já sobrevoaste corpos sem a imaginação? Faz-te soar. Mas deixa cair a espada E eu desapareço como a responsabilidade Do sol se pôr no solo a cada final do dia Deixei atrás copos de champanhe por limpar Sujos de terror e preocupação Calados pela melodia e pelas canções do melodrama. ...