[Com interpolações de NERVE] Preâmbulo: Isto não é para novos. Regra número um: faz regras e esquece-as. O corolário é evidente. Não me dou bem com nós e laços . Sou amigo dos fleumas, que guardo nas veias; dou-me bem com os nervos frios das cadeias, se tentas salvar-me, sustém a respiração: E digam ao Mestre de Pesadelos que estou no ponto em que a tortura parece uma bênção. Não me dou bem com nós e laços , aprendi a entrar em silêncio, por passos baixos, sem pedir licença, sem liberdade de expressão, porque "o demónio mora ali, na porta em frente à porta em frente à minha". No princípio era o ruído, o rumor no corredor, dito baixinho, a edificar uma casa de terror. Não há aqui quem ame; há quem observa, há quem mede a distância entre o rosto e a reserva. Um gesto fora de tempo, uma frase mal traçada, a repetição, a dúvida, tenho a alma destravada. Partir corações é só a superfície, apenas o começo, a parte mais funda é fazer do medo um endereço. Tu não viste quando começou....
afinal é o trauma um diamante esculpido. de várias facetas timbrado. de vários flocos efeitos. observável pela vesguice e pela nitidez. da prudência e da avareza. da gula e do vómito. da luxúria e da cristalina vergonha. Vénus do Nilo e sangue de Milo. lá está diante de mim, o Caos de todos os olhos e todas as jaulas, bem abertos, bem cerradas, repletos da minha própria fúria descarregada. o cemitério de todos os meus pedestais. de antigo testamento na língua, com o contrato por assinar na mão, já rabiscado. e dizem-me para ter cuidado, que o Caos nunca vai desaparecer e vai continuar a consumi-los até que eu descubra uma maneira de esculpir o tal diamante que persigo. as fantasmagóricas árias de todos os zombies ainda vivos, as guitarras eléctricas que me dizem que voltar para trás seria tão mais fácil. os nunca mais ecoados nas gargantas dos corvos, como unhas em ardósias, que me agitam a vontade de viver por medo. é uma tempestade. é ensurdecedora. e a quatro, ou oi...
há um abismo por que todos passamos. que nos precede, procede e sucede. o da escolha, e a única saída é o salto para a queda livre. posso achar que ninguém sabe o que é sentir a força que puxa, chegar à berma e pensar que todos os outros tiveram a oportunidade de ser puxados para trás ou tiveram a capacidade pessoal de virar as costas e evitar a tragédia clássica (cujo único movimento nunca deixou de ser a queda). quando vejo, aos outros é separado o destino do salto antes do consumo: eu fui consumido e tenho de viver neste meu próprio frasco vazio. estou exausto do vidro, da pureza da transparência que tantos julgam como luminosa ou mesmo iridescente. e que onírico que isso é. por muito que eu queira ceder ao abismo, eu não o faço, eu deixo-me transparecer a mim mesmo. deixo o vazio interior sair pela visão e não o mascaro mais. para quê, se a queda é o único movimento natural? se a gravidade é uma força que puxa mais do que o físico, é um vector natural, sem projecção ou alusão cultu...
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