continua a falar, só te violas a ti mesmo. Comentaste que era louco, Que era só mais uma piada — Agora esta casa é minha. Se me querias ver morto, Bastava só dizeres — Estás a dar-me vida. Consegues ver a dança dos mortos? Consegues ver as caras que beijaste? Os olhos por que obcecaste? E os dentes que me arrancaste? A todo o custo contém o teu escândalo, O meu bom nome é meu para desgraçar. Não há caos, nem loucura, Só a voz ríspida e clara, Mais clara que qualquer ideia, A romper a orgia da falta de ânimo: A luz sobre o protagonista desse pesadelo (Se me querias ver morto, bastava admitires).
estou sempre bêbado nas minhas lágrimas, numa constante moca por causa da reputação e ponho narcóticos nos planos de aula, não é o que todos dizem? as crianças entram na minha casa cheia de teias, mas eu processo-te se pisares o meu quintal, que eu sou temeroso e miserável, perverso e injusto, esqueceram-se de levar este drogado funcional. eu quero gritar aos céus o quão perturbado tu me deixaste: tu não tens o direito a dizer-me o que é tristeza. tu não tens o direito a dizer-me que te sentes mal. tu não duravas uma hora no asilo onde me criaram. eu era gentil e bondoso até que o teu circo me tornou cruel. tu atraíste, magoaste, aprisionaste e chamaste-me louco. então, quem é que pode ter medo de mim? e é por isso que ainda sonhas comigo.
afinal é o trauma um diamante esculpido. de várias facetas timbrado. de vários flocos efeitos. observável pela vesguice e pela nitidez. da prudência e da avareza. da gula e do vómito. da luxúria e da cristalina vergonha. Vénus do Nilo e sangue de Milo. lá está diante de mim, o Caos de todos os olhos e todas as jaulas, bem abertos, bem cerradas, repletos da minha própria fúria descarregada. o cemitério de todos os meus pedestais. de antigo testamento na língua, com o contrato por assinar na mão, já rabiscado. e dizem-me para ter cuidado, que o Caos nunca vai desaparecer e vai continuar a consumi-los até que eu descubra uma maneira de esculpir o tal diamante que persigo. as fantasmagóricas árias de todos os zombies ainda vivos, as guitarras eléctricas que me dizem que voltar para trás seria tão mais fácil. os nunca mais ecoados nas gargantas dos corvos, como unhas em ardósias, que me agitam a vontade de viver por medo. é uma tempestade. é ensurdecedora. e a quatro, ou oi...
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