I sing the body electric I+IX

I
Eu encanto o corpo eléctrico,
Os exércitos dos que amo engendram-me e eu engendro-os,
Eles não me vão deixar até que deixe com eles, lhes responda,
E discorrompa, e carregue com eles à carga da alma.

Era dúbio que os que corrompem o corpo se escondem?
E se esses que maculam os vivos são como os que maculam os mortos?
E se o corpo não faz tanto quanto a alma?
E se o corpo não é a alma, o que é a alma?

IX
Ó meu corpo! Não me atrevo a abandonar o teu género noutros homens e mulheres, nem
[os géneros das partes de ti,
Acredito que o teu género é levantar ou cair com o género da alma, (e que isso é a alma,)
Acredito que o teu género se vai levantar ou cair com os meus poemas, e que esses
[são meus poemas,
Poemas dos homens, das mulheres, dos jovens, das esposas, dos maridos, das mães, dos pais,
[do rapaz, da rapariga,
Cabeça, pescoço, cabelo, lábios, dentes, céu da boca, gengivas e dobradiças,
Nariz, narinas do nariz e a partição,
Bochechas, têmporas, testam queixo, garganta, trás do pescoço, pescoço,
Fortes ombros, barba de homem, omoplata, ombros, e o amplo lado do peito,
Braço, antebraço, axila, cotovelo, ângulos, ossos,
Pulso e junção, mão, palma, punho, polegar, indicador, articulações, unhas,
Ampla fronte do peito, pelo encaracolado, osso, lado,
Costelas, barriga, coluna, juntas da coluna,
Anca, encaixe, força, para dentro e para fora, bolas, raiz,
Boas coxas, que carreguem a trompa,
Fibras, joelho, dobradiça, perna, canela,
Tornozelos, dorso do pé, bola de pé, dedos do pé, juntas, calcanhar,
Todas as atitudes, todas as formações, todos os pertences do meu ou do teu corpo ou de
[alguém, masculino ou feminino,
Esponjas de pulmão, saco do estômago, entranhas doces e limpas,
O cérebro no seu sítio, dentro da moldura da caveira,
Simpatias, válvulas do coração, do palato, sexualidade, maternidade,
Feminilidade, e tudo o que é uma mulher, e o homem que vem da mulher,
O ventre, as tetas, os mamilos, o leite, as lágrimas, o riso, o choro, o olhar apaixonado,
[a perturbação e a insurreição,
A voz, articulação, linguagem, sussurrar e gritar,
Comida, bebida, pulsão, digestão, doce, sono, caminhar, nadar,
Postura, saltar, reclinar, abraçar, curvar os braços e apertar,
As mudanças contínuas do flectir da boca e em torno dos olhos,
A pele, a sombra da queimadura, sardas, cabelo,
A simpatia curiosa que se sente quando sentimos com a mão a carne nua do corpo,
Os rios circulantes da expiração e a respiração,
A beleza da cintura, e daí as ancas, e daí para baixo, para as pernas,
As geleias vermelhas de dentro de ti ou de mim, os ossos e o tutano nos ossos,
A estranha compreensão da saúde;
Ó eu digo que estas não são as partes e poemas do corpo, mas da alma,
Ó eu digo agora que estas são a alma!


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