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Interlúnio

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"there's never enough time, is there? whether it's fast or slow, or even if it doesn't move at all. but especially when the end is near." do lado das areias que traçam o mar voltei a encontrar uma flor de coral no meio do tempo que teima em passar para relembrar que nem todas são do mal... e o aroma a toxinas, tão infatuador saboreava-se na sua alma tão esculpida e o abraço do seu corpo, tão tatuador foi um paraíso, estar nesta terra pervertida. espero um dia fugir das maresias das gravidades que me acorrentam dos frios que ao sangue sustentam raptar-te e descobrir o nosso fim

rant #newshadeofdark

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de que me vale fazer-te pagar pelo pecado, quando toda a tua vida foi desgraça? desgraçada redenção, futuro de perder de vista. fugas de um karma inexistente, de inimigos invisíveis congeminadosà maneira do nevoeiro que se abate sobre o deserto? de que me valem as tuas escolhas se não quero que te debruces sobre as minhas? se tu queres que a inveja seja o teu super-poder, segue em frente, mas é ridículo continuares a maquilhar-te de vítima. ao meu coração um peso de ferro. à nebulosa do nome chegue a escuridão abarcada. que se transforme o remédio e o veneno nos nomes que lhes dás. à nebulosa, uma gravidade estável, que te explico: os diamantes a que chamo amigos foram injectados por intravenosa - o processo mineralizou o sangue que agora gela o suficiente para que seja encargo do coração cegar-se quando precisa. evitar tocar na lama, usar saltos altos com finalidade pragmática. qualquer tipo de abandono, que se preze desse nome (os teus abandonos nunca serão autênticos o suficiente p...
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acordar a meia distância da queda de um sonho. sob as nuvens de pirilampos eléctricos, a toca do coelho e o caminho dourado treme no atraso do eco da caveira "mais que tirar filhos a um pai, cortaram-mos, Salomão". o céu inocente e irónico, está lá sempre para nos esperar sem a malícia da floresta que engole, olhar para cima é esperar. não há mais nenhuma sonata a tocar neste cravo que vos entrego em soneto depois de vos dizer o que não são. e sim, era o que merecia, o que não queria ou desejava mas a roda gira, colhe e traz ao calhas o receio do presente. (De um díptico aos meus primeiros alunos)
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o sono dá lugar às verdades escondidas. foi sob o embrulho encrispado de um mar de tragédia no constante devolver do riso ouvido de longe da morte que me surgiu presenteado e imerecido um mar de rosas as nuvens mantêm a lua tapada, que não sorri, espanta-se e não é do meio da floresta negra que se vê a saída há ainda muito que podar neste jardim fique a maresia daquele teu jasmim que não foi o que queria, o que merecia ou o que desejava e tudo devo à fortuna, não à sorte grande, a de aqui estar.

O 13º aforismo

Nada controla tudo. O que está no entre da existência não requer atenção. Um segundo não critica, nem explica, apenas age. E não é o vento que levanta as lanças atiçadas do terceiro: é a causa. Os frios escudos e armaduras não estão no coração nem no cérebro. Estão cá fora. Estremecem e rimbombam os tambores com o chão, enervam-se as entranhas. De sonhos e livros, fogos-fátuos que confirmam e conferem o futuro ao passado. A lua não suspeita nem conjectura, reflecte. Os entes sem viver não reclamam. O sol que parece comandar e contar, inflecte. Os seres que dão vida solem cobrá-la. E escutando o correr da água na clepsydra, vagamente sorris, resignados e ateus. Não há tempo, nem lados. Há a sorte e os factos. As floridas rosas da memória trouxeram a lamúria. Na condenação cessam consequências. Há eléctricos risos: o da morte e o do morto. E não há luz nem heróis, ou escuro e vilões. Há acções sem julgamento póstumo.

Clepsydra

E escutando o correr da água na clepsydra, Vagamente sorris, resignados e ateus, Cessai de cogitar, o abismo não sondeis. O exposto é o de escorrer o tempo por um prato furado. Gota a gota, esse grande ladrão engole cada momento cujos abraços não foram capazes de envolver. Desvela o nevoeiro destas ilhas por que passam os nossos barcos, para as recobrir prontamente, quando as águas são passadas. Segundo a segundo, gota a gota, conta-se na medida em que se o pode fazer. As luzes do farol da minha constante e recorrente decadência prendem-se com três ou quatro pressupostos que podem constituir-se ou não como pensamentos da ficção ou da própria realidade, nas fracturas que cada uma chicoteia à outra. Estas luzes, racionais, submersas, cobertas, obscuras, vêm de uma noção quebrada da realidade, como o vidro da janela ocular que é translúcido, ou quebrado noutros fragmentos do mesmo bloco de vidro. Uma primeira ideia é a da submersão. Submersos nas partículas de Hidrogénio [H] que nos...

Pária

(Tradução de Waif de Henry Wadsworth Longfellow) O fim do dia e a escuridão descem das asas da Noite Como penas que flutuam da águia no seu voo. Vê as luzes da vila na chuva e no nevoeiro Chega-me a tristeza a que a alma não resiste; Tristeza e nostalgia, que não parecem dor, Apenas sofrimento, como o nevoeiro se parece à chuva. Lê-me um poema, uma disposição do coração, Que acalme o sentimento e castigue o pensamento. Não dos grandes mestres, nem dos sublimes bardos, Cujas pegadas ecoam nos corredores do Tempo. Pedaços da música marcial, grandes pensamentos sugerem Eterna fadiga e esforço da vida; esta noite procuro descanso. Lê-me um poeta humilde, de canções do coração Como a chuva no Verão, ou lágrimas das pálpebras; Nos dias de trabalho nas noites sem calma, Ouve-se música na alma, maravilhosas melodias. Canções que aquietam o indomável pulso do inquieto, Chegam como bênçãos, póstumas à reza. Lê-me do volume valioso o poema que quise...