Flutuam, bolhas De sabão, Assimilados Sonhos guardados Da reflexão... Cores que planam Fluxo de silêncio... Capriccios redondos E agora pululam Por mares hediondos. Estouram as cores, Geysers de spray , E a íris! Reparem... Se deixam cair Sempre que amarem. Hesitantes acordes, Sol-e-dó da maresia... Ondas e rolhas (Choram cebolas) Flutuam, bolhas... E da arriba! Vem um carro! Estalam as bolhas, De sabão, Des-per-di-ça-das...
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Clarão
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No desfile dos povos em frente à Deusa Calhou-me uma máscara poligonal O exército de um. E desafiámos lâminas em torno da estátua Da lua feita bode expiatório Paladino, feiticeiro, xamã. Recortámos o contorno às saias do vórtice Sem segunda chance Só o clarão. Os destinos não entreluzem tons do céu A minha prece não permite Deliberada cegueira. Luz o encontro das lâminas das javelinas, Escuda a realidade, relíquia da fantasia, Crescente sono. E não há frente para trás, nem traz a frente, Zigzag do pescoço, as faces irrequietas Dado lançado! Dado lancetado. Cai e torna a cair, fronte que se escama Desliza pelo solo a forte galope Limpa o sangue, irradia de novo.
Oblívio: A lâmina de pétalas
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Eu rebolei na lama e salvei um trono. Certamente, seria tarde demais para apresentar o que quer que fosse de remorso. E, na verdade, era um péssimo dénouement . Os que se perderam pelos corredores deste castelo não receberam o memo : encontrar é perder, perder é encontrar. Não é uma questão de transviar as direcções, não é uma questão de trânsito. Não é sequer uma questão gnóstica, nem, até, de destino. É saber caminhar: pôr um pé em frente ao outro e seguir. A direcção da sequência é sempre frente, a vida não tem outra e o Castelo Oblívio é tel qu'elle . Sublinho outra vez: caminhar é em frente, não é para cima, meu bando de zés-ninguéns... ou seu, não quero apoderar-me do que quer que seja. Como tantos nadas que cantaram em refrões e ecos o narcisismo do meu passado, que permitiram a construção deste fantástico baluarte das armaduras. As muralhas sobrepostas, brancas, escritas a grafite, inscritas a grafíti, porque o simples é fixar o passado dos outros. O simples é fazer malabar...
Adamante e Copas
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De súbito, endireitei as costas e expus a testa à luz. Dei-me a mim mesmo tal permissão caprichosa para um tufão da penugem de um albatroz. Da pedreira, passei à clareza, da asma à respiração. Repentinamente, o tempo futuro dissolveu o passado e o coração pulsa sonhos de um tom rosa, menos petrolífero. Cheguei às fornalhas e atirei a armadura que sobreviveu à guilhotina. Do fugaz e da imprevisibilidade, devolveu-me a fúria de viver. Surpreendentemente, estas lágrimas sabem a amor e os sorrisos já não custam a esculpir na cara; A mão vagueia no ar em busca da outra que carece, o coração soluça enquanto não dança à tua melodia. Arrisco a dizer que se formam novos exércitos: A vida lança as cartas e tudo o que saem são copas a tatuar yours truly Mt. Rushmore no enredo destas veias E servem todas para te devotar.
Ray of Hope MIX
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As ruínas que sondo No entreforro da realidade São desapontantes Remexem na responsabilidade Apagam os problemas De todos os apegos Removem-se do fim Os princípios da diversão. Oh, eu já lidei dantes Com os ingredientes da mistura A poção pela obsessão Não é uma nova possessão Que me mata outra vez A cada crua sensação E mata-me as que quiseres Com a eleição da gravidade Dessa espada. Já vendi o reino por um sonho Já assinei contratos a sangue Para oferecer filhos ao diabo Comprei um futuro a impaciência A êxtase e fraqueza, talento e doçura Em originalidade fiz explodir Os sacos de sangue nos céus Não passei nunca de um brinquedo. Já alguma vez viste o público passar-se? Já sobrevoaste corpos sem a imaginação? Faz-te soar. Mas deixa cair a espada E eu desapareço como a responsabilidade Do sol se pôr no solo a cada final do dia Deixei atrás copos de champanhe por limpar Sujos de terror e preocupação Calados pela melodia e pelas canções do melodrama. ...
Se
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(tradução de "If" de Rudyard Kipling) Se te podes controlar quando tudo em volta Se perde e te atira a culpa, Se te podes confiar quando todos duvidam, E ainda concedes a sua dúvida; Se podes esperar e se não te cansa esperar, Ou ser mentido, não lides com mentiras, Ou ser odiado, não dês espaço ao ódio, E ainda parecer bem, nem abusar da sensatez: Se podes sonhar — e não fazes do sonho amo; Se podes pensar — e não fazes da ideia dona; Se podes conhecer o Triunfo e o Desastre E tratas esses impostores de igual modo; Se consegues ouvir a verdade que falaste Retorcida por patifes para enganar os tolos, Ou ver as coisas a que deste vida quebrar, E descer para as reconstruir com as ferramentas: Se fazes um montão de tudo o quanto ganhas E o arriscas num turno ao jogo de dados, E perdes e começas de novo com os teus princípios E nunca respiras uma palavra acerca dessa perda; Se podes forçar o coração, os nervos e os músculos A servir o teu tur...
rant #TPL
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Poslúdio a única demanda da vida, desengano de alma triste e cedo, é pela bússola do desejo. por um caminho decorado de plantas cobertas da cinza de um incêndio que passou demasiado perto. foi o incêndio que traçou este caminho, levou os lírios e partiu os vidros, rompeu o espelho e a bússola, deixou tudo no chão. a bússola está desfragmentada em madeiras e mercúrios, sob as pétalas destes lírios todos eles maus augúrios. às labaredas que mancham de negro as paredes, ao incêndio que vimos por uma esmeralda. um brinde às frustrações das devoções, um palco para o egoísmo rodeado das cópias das cópias dos entes queridos. um palco medido a palavras, traçado a pena, sustentado por ideais. uma peça a sós, uma peça de nós, decorada de mim e por mim. às frustrações das devoções e à ironia que só faça falta o calor quando se não tem verão. aí os lírios podiam crescer e manter as aparências dos delírios deste espelho, cheio de pó. o pó acumulado por cima do espelho inútil. um reflexo que nã...